Estatísticas e Análises, Mundo | 8 de junho de 2018

Câncer de mama: Quimioterapia pode ser evitada no estágio inicial em algus casos

Em 70% dos casos, índice de sobrevivência sem quimio é de mais de 90%
Câncer de mama Quimioterapia pode ser evitada no estágio inicial em algus casos

Cerca de 70% das mulheres em estágio inicial de câncer de mama não precisam fazer quimioterapia, de acordo com um estudo divulgado na revista New England Journal of Medicine (NEJM). O estudo indicou que o tratamento hormonal possibilita 90% de chances de sobrevivência, sendo tão eficiente quanto a quimioterapia para grande parte dos casos de tumores mamários que ainda não se espalharam pelo corpo. A vantagem de não utilizar a quimioterapia é a menor incidência de efeitos adversos com resultados que pioram a saúde do paciente a longo prazo. A pesquisa foi apresentada durante o principal evento de oncologia do mundo (ASCO) realizado entre os dias 1 e 5 de junho nos EUA.

“Poderemos poupar centenas de milhares de mulheres de um tratamento tóxico e agressivo que, na realidade, não as beneficia”, disse ao jornal New York Times a médica Ingrid A. Mayer, da Vanderbilt University Medical Center, autora do estudo, chamado TAILORx, que foi apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (American Society of Clinical Oncology).

Conforme a pesquisadora, testes de genes em amostras de tumores são capazes de identificar quais mulheres podem abrir mão da quimioterapia com segurança, após passar por cirurgia, e usar somente drogas que bloqueiam a produção de estrogênio.

O estudo

Com início em 2006, o estudo contou com a participação de 10.253 mulheres, entre 18 e 75 anos de idade. Cada uma realizou um tipo de biópsia que examina 21 genes tumorais. O teste atribuiu às mulheres uma pontuação de 0 a 100 com base na probabilidade de o câncer retornar dentro de 10 anos.

Os pesquisadores já sabiam que as mulheres com baixo risco, com pontuação de 0 a 10, não se beneficiavam da quimioterapia – cerca de 17% das mulheres no estudo. Por outro lado, mulheres com uma pontuação de risco de 26 ou mais (14% do estudo) se beneficiaram da quimioterapia. O objetivo do estudo foi avaliar a maioria das mulheres em estágio intermediário, com uma pontuação de 11-25.

Das 10.273 mulheres testadas, 6.711 (69%) tiveram uma pontuação de 11-25. Eles foram aleatoriamente designados para receber apenas terapia endócrina, ou uma combinação de endocrinologia e quimioterapia. De acordo com o novo estudo, essas mulheres têm a mesma chance de sobrevivência, independentemente do tratamento utilizado: depois de nove anos, o porcentual de sobrevivência é de 93,9% sem quimioterapia e de 93,8% com quimioterapia.

No entanto, os dados sobre mulheres na pré-menopausa e com menos de 50 anos que pontuaram na faixa mais alta de risco intermediário (16 a 25) foram analisados separadamente. Os resultados mostraram que há pequenos benefícios no uso da quimioterapia. “Os tumores crescem de forma mais agressiva em mulheres na pré-menopausa, não apenas em mulheres com menos de 50 anos”, disse Brawley, da Sociedade Americana do Câncer.

Por isso, é necessário examinar cada caso com cuidado para indicar o melhor tratamento e não colocar em risco a vida das pacientes.

 

Câncer de mama

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) revelou que o câncer de mama é relativamente raro antes dos 35 anos, mas acima dessa faixa etária a incidência aumenta progressivamente, especialmente após os 50 anos.

Segundo o Fundo Internacional para Pesquisa do Câncer Mundial, esse é o tipo de câncer mais comum em mulheres, representando cerca de 12% de todos os novos casos de câncer e 25% de todos os cânceres no grupo feminino, além de ser a quinta causa mais comum de morte por câncer em mulheres no mundo. No Brasil, é o tumor que mais leva a óbito as pessoas do sexo feminino.

O Grupo de Estudos do Câncer de Mama revelou que cerca de 52.680 novos casos de tumor de mama são diagnosticados anualmente; e 13.000 pacientes morrem por ano. Outro dado mostra que 52 mulheres em cada 100.000 receberão o diagnóstico da doença ao longo de sua vida.

Saiba mais:

Tratamento com quimioterapia para o câncer de mama não é sempre o mais indicado

Sociedade Americana do Câncer recomenda mamografia anual a partir dos 45 anos

 

Com informações dos jornais The New York Times e The Guardian, e revista Veja. Edição do Setor Saúde.

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