Mundo | 5 de janeiro de 2015

Azar é fator determinante para o desenvolvimento do câncer

Universidade Johns Hopkins indica que falta de sorte é causa de 65% dos tumores
Azar é fator determinante para o desenvolvimento do câncer

O azar é a causa de 2/3 dos diagnósticos de câncer, de acordo com uma pesquisa feita pelo Centro Oncológico Kimmel da Universidade Johns Hopkins (EUA), publicado na revista Science.

A ” falta de sorte ” corresponde a 65% da incidência de câncer nos tecidos dos adultos, enquanto o terço restante se deve a fatores ambientais e genéticos. Para chegar a essa conclusão, os especialistas criaram um modelo estatístico que, partindo da análise de muitos tipos de tecidos, calcula a incidência de câncer causada pelas mutações aleatórias que se produzem quando as células-tronco se dividem.

O pesquisador Bert Vogelstein, do Instituto Médico Howard Hughes da Johns Hopkins e um dos responsáveis pelo estudo, afirma que os indivíduos que são expostos a agentes cancerígenos (como o tabaco) e não desenvolvem tumores devem agradecer à sorte, e não a bons genes, como se costuma pensar. “A verdade é que a maioria delas simplesmente teve sorte”, diz.

Conforme a pesquisa, o número de divisões de células-tronco em um tipo de tecido está “altamente correlacionado” com a incidência de câncer nesse mesmo tecido. Como dois terços da incidência do câncer se baseiam nas mutações de DNA produzidas durante a divisão das células-tronco, mudar o estilo de vida e os hábitos segue sendo “de grande ajuda para prevenir certos tipos de câncer, mas nem todos”, segundo Vogelstein.

“Descobrimos que os tipos de câncer que tinham maior risco previsto pelo número de divisões de células-tronco eram precisamente os que precisam esperar, incluindo o câncer de pulmão, que está vinculado ao consumo de tabaco, e o de pele, vinculado à exposição ao sol”, diz o pesquisador. O estudo analisou 31 tipos de câncer e concluiu que 22 tipos de câncer poderiam ser explicados, em grande parte, pelo “azar” de mutações de DNA ao acaso durante a divisão celular. Outros nove tipos analisados surgiram, presumivelmente, após uma combinação de má sorte e causas ambientais ou hereditárias.

O risco de ter câncer de pulmão ao longo da vida é de 6,9%, enquanto que o de tiroide é de 1,08% e o do câncer no cérebro de 0,6%, segundo as estatísticas publicadas. Entre os fatores que explicam algumas incidências estão o tabagismo, o consumo de álcool, a luz ultravioleta e o vírus do papiloma humano, além das variações genéticas.

O artigo da Science explica que, por falta de documentação científica, o estudo não inclui alguns tipos de câncer como o de mama ou o de próstata. O estudo indica que o risco de contrair câncer pode aumentar de acordo com fatores de estilo de vida, mas muitas formas de câncer se devem em grande parte ao azar de adquirir uma mutação em um gene controlador do câncer, independentemente do estilo de vida e da herança genética. “A melhor forma de erradicar estes tipos de câncer será através da detecção cedo, quando ainda são curáveis com cirurgia”, sintetiza o oncologista.

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