Gestão e Qualidade | 16 de janeiro de 2019

Atenção Domiciliar do Grupo Hospitalar Conceição é destaque no Prêmio InovaSUS 2018

Ferramenta possibilita o atendimento com mais segurança aos profissionais
Atenção Domiciliar do Grupo Hospitalar Conceição é destaque no Prêmio InovaSUS 2018

O Programa de Atenção Domiciliar do Grupo Hospitalar Conceição (PAD/GHC) concorreu ao Prêmio InovaSUS 2018 e foi classificado em terceiro lugar entre 149 trabalhos de todo o país. A inovação A utilização do Acesso Mais Seguro (AMS) como ferramenta de proteção para os profissionais na Atenção Domiciliar, adjudicou um prêmio de R$ 110 mil.

Segundo o coordenador do PAD/GHC, Sati Jaber Mahmud, “só foi possível alcançarmos essa conquista graças ao comprometimento e dedicação de todos os trabalhadores do PAD/GHC, condutores, profissionais da Atenção Primária à Saúde, multiplicadores do AMS e gestores”. Destacou-se o Grupo de Tomada de Decisão do AMS composto por Aline Barroco Ludwig, Cristina de Oliveira Cecconi, Edimara Pires de Lima Fontes, Luciana de Souza, Mauro Binz Kalil, Raquel Jeanty de Seixas Mestriner, Ricardo de Castilhos, Rosane Pignones Coelho e Sati Jaber Mahmud.

Desde 2011, o Ministério da Saúde, por intermédio do Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde (DEGERTS/SGTES/MS), vem investindo no fomento à inovação na saúde por meio de ações como o Prêmio InovaSUS, que consiste em identificar, reconhecer, valorizar e potencializar práticas inovadoras na Gestão do Trabalho em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Para além do incentivo financeiro, o prêmio promove e fortalece a rede de Gestão do Trabalho e favorece a incorporação e o desenvolvimento de temas e metodologias que se tornaram prioridades para o SUS. Confira informações sobre o trabalho apresentado pelo GHC:

O trabalho apresentado

O Programa de Atenção Domiciliar do Grupo Hospitalar Conceição (PAD-GHC)/Melhor em Casa, atua em um território de aproximadamente 400 mil habitantes da Zona Norte de Porto Alegre. O território é composto por 45 unidades de saúde (US), na sua maioria localizada na periferia, com importante vulnerabilidade social e altos índices de violência urbana. Este cenário de aumento da criminalidade é uma realidade e um grande desafio social para diferentes áreas da sociedade em nível nacional, uma vez que suas causas são complexas e incluem aspectos socioeconômicos, demográficos, culturais e políticos.

Tendo em vista que o cenário de prática do PAD é dentro de diferentes comunidades, enfrenta-se uma realidade diária de possível exposição dos profissionais a situações de violência. Cabe salientar que a Atenção Domiciliar (AD) apresenta uma particularidade em relação à Atenção Primária à Saúde (APS), por circular em diferentes comunidades e por não ter o conhecimento tão detalhado das características territoriais quanto às US, motivo que pode, potencialmente, aumentar o risco de exposição a situações de violência. Paralela a essa realidade está o perfil dos pacientes em acompanhamento pela AD, que necessitam de visitas diárias ou semanais devido à complexidade do cuidado em saúde.

Nesse sentido, tornam-se urgentes medidas que permitam o acesso aos territórios que sofrem de conflitos com violência armada. Porém, tal acesso deve ser feito com a maior segurança e responsabilidade possíveis a fim de evitar a exposição dos profissionais da AD a eventos de violência.

Coordenador do PAD, Sati Jaber Mahmud, com o diretor técnico e a diretora-superintendente do GHC

Adriana Denise Acker (diretora-superintendente do GHC), Sati Jaber Mahmud (Coordenador do PAD) e Mauro Fett Sparta de Souza (diretor técnico do GHC)

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Parceria com Cruz Vermelha e Secretaria Municipal de Saúde

Foi apresentada a ferramenta intitulada Acesso Mais Seguro (AMS), uma parceria entre o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que possui longa experiência em regiões de conflito, com a gestão municipal de saúde e com os profissionais da Atenção Domiciliar e da Atenção Primária à Saúde (APS) do município de Porto Alegre.

De acordo com o CICV, o Acesso Mais Seguro pode ser definido como “uma metodologia que pode ajudar instituições como os serviços de Saúde, Educação e Assistência Social e os seus profissionais a reduzirem e mitigarem os riscos que podem correr em contextos delicados e inseguros. O marco para um Acesso Mais Seguro propõe uma série de ações e medidas para preparar e responder aos desafios e prioridades específicos do contexto, a partir da avaliação permanente de risco e do estabelecimento de medidas e procedimentos que reduzam esses riscos no seu dia a dia”.
O principal objetivo da utilização da ferramenta do AMS por parte das equipes de AD é reduzir e prevenir o impacto das situações de conflito e violência sobre os profissionais nas visitas domiciliares e, portanto, sobre a atenção à saúde da população que reside em áreas vulneráveis à violência.

A parceria entre a CICV e a Secretaria Municipal de Saúde efetivou-se no primeiro semestre de 2016, com a capacitação dos primeiros gestores e profissionais multiplicadores. A partir de então, estão sendo realizadas, rotineiramente, oficinas de capacitação dos profissionais do PAD e da APS para a utilização da ferramenta do AMS, sendo que, atualmente, as equipes do PAD-GHC e de 33 US do território foram capacitadas.

Durante as capacitações os membros das equipes construíram Planos Locais de AMS para o PAD-GHC e US. Entre as ações do plano estão criação do grupo de tomada de decisão para avaliação de fechamento/reabertura do território, classificação de risco para violência baseada nas características de cada região, descrição e adoção de comportamentos seguros, identificação de locais de abrigo no território e rotas seguras de fuga, além de estratégias de comunicação internas e externas.

WhatsApp

Para facilitar a comunicação foi criado um grupo de WhatsApp entre integrantes do grupo de tomada de decisão do SAD e profissionais de referência do AMS de cada US. Sempre que a US for classificada com risco alto (vermelho) ou risco médio (amarelo) para violência, essa informação é disseminada no grupo, desencadeando os fluxos previstos em cada plano.

No SAD, a rotina é realizar a atualização da classificação de risco no início de cada turno de trabalho e permanece visível em local pré-estabelecido para a sinalização no serviço. Os condutores dos veículos também recebem essa informação, do grupo de WhatsApp, para comunicação imediata e evitar o tráfego nessas rotas em vermelho. Todas as manhãs, ou seja, no dia posterior ao evento, um integrante do grupo de tomada de decisão do SAD, realiza contato obrigatório com a US do território em vermelho, antes das equipes saírem para as visitas domiciliares, para a tomada de decisão em relação às visitas domiciliares.

Potencial da iniciativa

Após mais de um ano de sua implementação, percebe-se o AMS como uma ferramenta útil para a promoção de comportamentos seguros para os profissionais que atuam em regiões de violência armada e na tomada de decisão com o intuito de mitigar riscos para as equipes que atuam no território. O plano local do AMS do SAD continua em permanente atualização, aperfeiçoamento e comunicação com a APS, usuários e lideranças comunitárias, possibilitando o direito à saúde aos usuários apesar da violência.

Caráter multiplicador

A ferramenta do AMS possibilita o atendimento no domicílio com segurança aos profissionais, preservando a integridade física e psicológica dos profissionais em atenção domiciliar. A capacitação de novas equipes da Atenção Primária à Saúde e posteriormente os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) e outros serviços de saúde do território poderá aprimorar o comportamento seguro e ações de segurança para os demais profissionais em atendimento à população.

Além disso, cabe salientar que a ferramenta precisa ser constantemente revisada pelas equipes, a fim de manter-se atualizada e de melhorar a comunicação interna e externa. Nesse sentido, o grupo de tomada de decisão do SAD reúne-se mensalmente a fim de rever o plano, os processos de trabalho, monitorar as ações e pensar em estratégias de comunicação e articulação com a rede (US, Gerências e Conselhos Distritais); além de lidar com situações extraordinárias relacionadas à violência urbana. Ainda nesse sentido, o SAD mantém o AMS como pauta permanente das reuniões de equipe multiprofissional que ocorrem de forma quinzenal para garantir a educação permanente da equipe com relação ao tema.

Um último ponto a ser destacada refere-se aos condutores dos veículos utilizados pelo SAD que são peças fundamentais para a garantia de um acesso por meio de rotas seguras e também de adotar um comportamento que inclui ações como direção defensiva, uso de velocidade reduzida em determinados locais e adequado posicionamento do veículo a fim de facilitar a saída do território. Para atingir tal objetivo, foram realizadas reuniões de capacitação para sensibilização e adesão por parte dos condutores à ferramenta do AMS. O impacto de tal capacitação pode ser ainda mais amplo, uma vez que os condutores pertencem a um setor que presta serviços não somente ao SAD.

Resultados

Após a implementação do AMS não ocorreu nenhum fechamento do território para atuação das equipes do Programa Melhor em Casa de forma continua e permanente, apesar de algumas unidades terem vivenciado situações de conflito intenso. Antes da implementação do AMS tivemos territórios fechados de forma contínua por um período de até nove meses. Após, não ultrapassamos nenhum período de fechamento de território maior que dez dias. Tal fato deve-se à avaliação diária e comunicação direta com as US que propiciam uma tomada de decisão rápida e eficaz por parte dos trabalhadores e gestores.

O Acesso Mais Seguro também proporcionou uma maior autonomia do SAD para a tomada de decisão sem sofrer influências externas de hierarquias superiores, tendo em vista que a ferramenta é baseada em critérios objetivos construídos pelas próprias equipes e aprovadas pelos gestores. Além disso, percebe-se a utilização e valorização da ferramenta pelos trabalhadores e gestores como medida protetora e de redução de danos, sem banalização da violência.

Um aspecto percebido pela equipe do SAD foi uma tendência de aumento no quantitativo de informações de US em vermelho que foram recebidas ao analisarmos os dados de outubro de 2017 a julho de 2018. Tal fato é esperado devido ao crescente número de US capacitadas no AMS e, também, da melhor utilização da ferramenta por parte dos diferentes pontos da rede.

Com o aperfeiçoamento da comunicação com a APS, as equipes do SAD passaram a sentirem-se mais seguras para transitar no território, garantindo o acesso do usuário à AD. Após esse período de implantação da ferramenta, observa-se maior comprometimento e adesão por parte dos trabalhadores, tendo em vista que a mesma facilitou a logística para realização das visitas domiciliares com itinerários planejados, efetivos e proporcionando maior segurança.

Outro desafio enfrentado pelo SAD foi a sensibilização e comunicação do usuário com as equipes em relação ao uso do MAS, pois em determinados momentos, isso poderá implicar em reagendamento das visitas domiciliares e, em casos de fechamento de área por período prolongado, poderá ser necessária a reinternação hospitalar (tal processo será garantido pelo SAD). Para facilitar a compreensão, foi incluído no termo de consentimento assinado pelo próprio usuário ou seu responsável no momento da inclusão na AD o seguinte item: “Em caso de situações de violência urbana no território próximo à sua residência, que impossibilitem a realização da visita domiciliar, existe a possibilidade de você reinternar em qualquer hospital da rede municipal, conforme a avaliação da equipe”.

Conclusões

Após a implementação da ferramenta do AMS, concluiu-se que a mesma proporciona maior segurança para gestores e trabalhadores na tomada de decisão sobre abertura ou fechamento do território de forma responsável e embasada no Plano Local de Acesso Mais Seguro, não superestimando nem banalizando as situações de violência nos territórios de atendimento da AD.

Além disso, observou-se uma maior aproximação com a APS com consequente conhecimento de áreas mais vulneráveis (becos, vielas, pontos de tráfico, dentre outros). Esse vínculo também possibilitou uma maior confiança nas informações recebidas a fim de transitar nos territórios de forma mais segura e minimizando o risco de exposição a situações de violência armada.

Como consequência da avaliação de risco para violência ocorrer diariamente, há períodos que possibilitam o atendimento dos pacientes domiciliados, mesmo em territórios com conflitos mais intensos. Quando o fechamento por período prolongado se torna inevitável, o SAD garante o atendimento ao usuário por meio da reinternação hospitalar ou transição do cuidado para a APS.

Com informações assessoria imprensa do GHC. Edição Setor Saúde. 

 

 

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