Mundo, Tecnologia e Inovação | 21 de fevereiro de 2017

A realidade virtual no tratamento do câncer 

Estudo pretende entender as causas da doença com uso da tecnologia 3D
A realidade virtual no tratamento do câncer

Pesquisadores do Cancer Research UK Cambridge Institute e do Wellcome Trust Sanger Institute, que fazem parte do Centro de Pesquisa do Câncer Universidade de Cambridge, pretendem usar a realidade virtual (RV) para diagnosticar, tratar e lidar com o câncer. A pesquisa ganhou notoriedade após vencer, neste ano, o primeiro Cancer Research UK Grand Challenge Awards (algo como Grande Desafio Britânico de Pesquisa do Câncer), promovido pela Cancer Research UK – entidade de caridade que apoia pesquisas e tratamentos da doença no Reino Unido.

Com o prêmio de 40 milhões de libras – cerca de 155 milhões de reais -, o professor Greg Hannon e sua equipe de Cambridge irão trabalhar com pesquisadores dos Estados Unidos, Suíça, Canadá e Irlanda. Seu objetivo é construir versões em três dimensões (3d) de tumores da mama para serem analisados em realidade virtual (RV), permitindo que os cientistas e médicos possam estudar cada célula e cada aspecto do tumor em detalhes nunca antes vistos.

Essa nova maneira de se observar o câncer de mama pode mudar como a doença é diagnosticada e tratada. A experiência em RV incluirá até um modo “Super-Homem” que permitirá aos usuários “voar” para dentro do tumor, chegar a cada parte e descobrir exatamente que tipo de célula é e o que ela está fazendo.

Segundo o professor Hannon, “este é um enorme desafio. Eu comparo com a ideia de colocar uma pessoa em Marte – existe muita tecnologia que você tem que desenvolver para fazer isso. Há vários tipos de coisas estão acontecendo nos tumores que não conseguimos estudar com a tecnologia que temos hoje. Mas com nosso projeto, esperamos mudar esse quadro”.

Mapa interativo do tumor e suas assinaturas mutacionais

“Queremos criar um mapa interativo, fiel e 3D dos tumores, e que possa ser estudado em realidade virtual, para que os cientistas tenham a possibilidade de ‘entrar’ nessas células e as observar em detalhes”, afirma Greg Hannon. “Fazendo isso, podemos aprender mais sobre tumores e começar a responder perguntas que têm escapado dos cientistas por muitos anos”, completa Hannon.

Já no Wellcome Trust Sanger Institute, o professor Mike Stratton liderará um time com o objetivo de se aprofundar nas causas do câncer. É sabido, por exemplo, que questões do nosso cotidiano e comportamentos como fumo e ingestão de bebidas alcoólicas causam câncer por danificar o DNA em nossas células. Esse dano ocorre em padrões distintos conhecidos como assinaturas mutacionais, que são únicas em cada causa. Por exemplo, tipos de câncer causados por exposição aos raios UV têm assinaturas diferentes àquelas dos cânceres causados pelo tabaco.

Existem pelo menos 50 tipos de câncer associados às assinaturas mutacionais, mas os pesquisadores conhecem as causas de apenas metade deles. A equipe do professor Stratton espera preencher as lacunas restantes e determinar essas causas ainda desconhecidas.

Para isso, os pesquisadores analisarão 5 mil amostras de câncer pancreático, dos rins, esôfago e intestino advindas de cinco continentes. Isso vai gerar uma quantidade de dados de sequencia de DNA do câncer inédita, jamais produzida antes. Esse trabalho pode ajudar a prevenir a ocorrência de mais casos da doença.

“O principal alvo do nosso desafio é entender as causas do câncer. Cada câncer possui um vestígio arqueológico, um registro no seu DNA, o que causou isso. É esse registro que queremos explorar para descobrir os fatores desse câncer”, afirma Stratton. Além disso, o professor diz que com o sequenciamento do DNA dos milhares de cânceres coletados de diversas partes do mundo, será possível estudá-los e observar qual traço arqueológico eles contêm. “Esperamos descobrir as razões desses cânceres”, completa Stratton.

O projeto de Cambridge foi selecionado entre nove colaborações multidisciplinares de universidades e institutos do mundo todo por um painel internacional de especialistas.

O objetivo do Cancer Research UK Grand Challenge é ajudar cientistas a resolver algumas das questões mais difíceis e sem resposta acerca da pesquisa do câncer e, também, a revolucionar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença. A expectativa dos organizadores da premiação é que, com iniciativas como essa, se chegue cada vez mais perto da cura do câncer.

Info_RV

 

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