Tecnologia e Inovação | 24 de agosto de 2020

Segunda dose da vacina contra a Covid-19 começa a ser aplicada pelo Hospital São Lucas da PUCRS

Pacientes não têm sentido sintomas ou reações inesperadas
Segunda dose da vacina contra a Covid-19 começa a ser aplicada pelo Hospital São Lucas da PUCRS

Passados os 14 dias do recebimento da dose inicial da vacina da farmacêutica chinesa Sinovac, os primeiros voluntários selecionados para participar do estudo Coronavac retornaram ao Hospital São Lucas da PUCRS (HSL-PUCRS) na segunda-feira (24), para a segunda aplicação do possível imunizante. Com a conclusão desta etapa, eles passam ser acompanhados pela equipe da pesquisa por meio do Diário do Paciente – na qual o paciente registra, por exemplo, se sentiu sintomas e quais.


Luciano Marini, que atua como médico intensivista na UTI do HSL, foi recebido pela equipe responsável pelo estudo para retomar parte do processo iniciado no dia 8 de agosto. Além de realizar novamente algumas coletas, como o teste rápido de Covid-19 e swab, nesta etapa ele recebeu um segundo diário para a marcação dos registros. “Desde então eu passei muito bem, seguindo o trabalho normalmente e sem sintomas ou reações inesperadas”, afirma.

A técnica de enfermagem da Emergência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Fabiana Silva de Souza, também recebeu a segunda dosagem nesta segunda-feira, em um processo que demorou aproximadamente uma hora. “Vejo de uma forma positiva não ter tido sintomas, pois isso mostra a segurança da vacina. Que o resultado saia o quanto antes e a gente tenha boas notícias”, pondera.


Estudo duplo cego

Atualmente em sua terceira etapa de testes, a vacina está no estágio em que é aplicada em larga escala, o que poderá comprovar em definitivo a sua eficácia e duração da proteção. O Hospital São Lucas é um dos 12 Centros de Estudos do Brasil, sendo o único do Rio Grande do Sul, que aplicará o insumo e documentará os resultados junto ao Instituto Butantan, de São Paulo.

Conforme o HSL, das 9 mil pessoas que participarão da testagem no Brasil, metade receberá a vacina, ao passo que a outra metade placebo, isto é, uma substância sem efeito algum. Por ser um estudo “duplo cego”, somente os farmacêuticos que recebem e acondicionam os imunizantes conseguem saber o que cada seringa contém. Porém, eles não acompanham o momento de aplicação, conduzido pelos pesquisadores junto aos voluntários, que desconhecem o conteúdo das doses em questão. A estratégia permite a análise e comparação dos resultados pelos dois grupos, validando ou não o efeito da substância.

Na prática, o que se espera é que o sistema imunológico dos testados desenvolva anticorpos para o vírus inativado (“morto”) da Covid-19 que está presente na vacina, tornando a pessoa em questão imune ao efeito do vírus ativo caso ela tenha contato com o organismo posteriormente.

Confira a seguir a cronologia do estudo no Rio Grande do Sul:

1º/7: Instituto Butantan confirma o Hospital São Lucas como um dos centros de estudo para testagem da vacina.

10/7: Formalização do contrato entre o Instituto Butantan e o Hospital São Lucas

20/7: Abertura das inscrições de voluntários para a testagem da vacina

3/8: Hospital São Lucas recebe as primeiras doses do imunizante

8/8: Início da aplicação da primeira dose com os profissionais da saúde selecionados

24/8: Início da aplicação da segunda dose com os profissionais da saúde selecionados

Outubro/2020: previsão de término da aplicação da vacina no Hospital São Lucas

Dezembro/2021: previsão de conclusão do estudo a partir do término do acompanhamento dos voluntários


Saiba mais: “Muito mais que uma vacina”, por Leandro Firme, diretor geral do Hospital São Lucas da PUCRS



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