Estatísticas e Análises, Gestão e Qualidade | 23 de outubro de 2015

91% dos brasileiros querem “exame da ordem” para médicos

Testes aos moldes dos praticados para advogados
91 dos brasileiros querem exame da ordem para médicos
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha com 4.060 pessoas de todas as regiões do país, encomendada pela APM (Associação Paulista de Medicina), aponta que nove em cada dez brasileiros desejam que os médicos passem por um “exame da ordem” antes de ingressar no mercado de trabalho. A medida seria semelhando ao que ocorre hoje com advogados.

De acordo com reportagem publicada na Folha de S. Paulo, o levantamento revela que apenas 22% dos entrevistados consideram que a qualificação dos médicos tenha melhorado nos últimos anos.

Nas regiões metropolitanas a percepção de piora é maior do que nas regiões do interior (42% contra 31%).

No entanto, a aplicação de um exame como o da ordem não é consenso. Segundo informações, o Ministério da Educação e o CFM (Conselho Federal de Medicina) defendem que os alunos sejam avaliados periodicamente durante o curso, e não no final.

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) aplica há 11 anos um teste para os recém-formados em medicina no Estado de São Paulo. Nesse período, a taxa de reprovação tem sido acima de 50%.

Embora seja um exame obrigatório para obtenção do registro do conselho, mesmo quem vai mal nele não é impedido de exercer a profissão. Isso porque, por lei, o conselho não pode condicionar o registro ao resultado da prova. Para isso acontecer, era necessário alterar a legislação federal.

Várias instituições do estado de São Paulo começaram a exigir o exame do Cremesp como critério para o ingresso na residência médica e no mercado de trabalho. “É um exame reconhecido nacionalmente, apoiado pela população e que tem colocado na deriva os conselhos médicos contra”, destaca o cardiologista Bráulio Luna Filho, presidente do Cremesp.

Florisval Meinão, presidente da APM, comenta que o exame paulista tem mostrado que a formação médica é um problema muito sério. “E que tende a piorar com a abertura desenfreada de novas escolas médicas sem as menores condições”, afirma.

Meinão reforça que é preciso o país instituir um exame no final do curso, a exemplo do que fazem os Estados Unidos e países da Europa.

Nota

A Folha informou que, em nota, o Ministério da Educação diz que, a partir do segundo semestre de 2016, todos os estudantes de medicina do país deverão realizar uma prova progressiva no 2º, 4º e 6º anos.

“Os exames terminais [como o do Cremesp] responsabilizam unicamente o estudante por eventuais problemas no aprendizado, não gerando impacto para os processos de avaliação da instituição de ensino. Os exames de progresso resolvem o problema na fonte.”

Os exames também serão critério classificatório para a seleção dos programas de residência médica, com previsão de acesso a partir de 2019. Ainda segundo a Folha, o ministério informou que, a partir de março de 2016, os cursos de medicina do país também serão submetidos a processos de avaliação externa.

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