Gestão e Qualidade | 5 de dezembro de 2017

Uso de ferramenta DRG já é realidade em parceria do Hospital Mãe de Deus com Unimed, em Porto Alegre

Compartilhamento entre as instituições visa um novo modelo de relacionamento comercial e assistencial
Uso de ferramenta DRG já é realidade em parceria do Hospital Mãe de Deus com Unimed, em Porto Alegre

A última palestra realizada no evento Seminários de Gestão, no dia 1 de dezembro,  apresentou o case da parceria realizada entre o Hospital Mãe de Deus (HMD), representado pelo Superintendente Médico, Luiz Felipe dos Santos Gonçalves, e a UNIMED Porto Alegre, representada pelo Diretor de Provimento de Saúde, médico Salvador Gullo, baseada no modelo de relacionamento DRG – Diagnosis Related Groups, também conhecido como Grupo de Diagnósticos Relacionados. Chamado de Sistema UM de Saúde (junção de Unimed e Mãe de Deus), a parceria visa desenvolver um novo modelo de relacionamento comercial, a partir da avaliação do desempenho assistencial do hospital. O gerente geral de Serviços Operacionais do Hospital Divina Providência, Ricardo Minotto, foi o debatedor do evento.

Iniciada em maio e anunciado com exclusividade pelo portal de notícias da FEHOSUL (Setor Saúde), o Sistema UM decorre de uma parceria gestionada pelas duas instituições desde 2010. Gonçalves e Gullo explanaram como foi sendo desenvolvida a parceria: em 2010, a realização de contratações isoladas de consultoria visando estabelecer os bancos de dados; em 2013 o HMD avançou e instituiu o DRG; e o modelo de remuneração foi lançado na Unimed em 2015; a partir de janeiro de 2017, as duas instituições definiram o plano da parceria, alinhando com um empresa de consultoria especializada em DRG. Os representantes das duas instituições enfatizaram que a ideia da parceria é criar um modelo mais eficiente, que gere aumento de qualidade assistencial e segurança ao paciente.

Salvador Gullo, Diretor de Provimento de Saúde da UNIMED POA

Salvador Gullo, Diretor de Provimento de Saúde da UNIMED POA

 

Os palestrantes explicaram como ocorre a parceria: inicialmente, com o compartilhamento de uma base de dados que é codificada e, partir disso, são gerados indicadores, que possibilitam que sejam feitos plano de ação e metas para melhorar a qualidade assistencial. Gullo e Gonçalves ressaltaram que a qualidade assistencial se baseia em pilares como: a definição de indicadores de qualidade, reduzir eventos adversos, reduzir internações potencialmente evitáveis, reduzir readmissões hospitalares, realizar a desospitalização de forma segura, trazer melhor experiência aos pacientes.

Luiz Felipe dos Santos Gonçalves, Superintendente Médico do Hospital Mãe de Deus

Luiz Felipe dos Santos Gonçalves, Superintendente Médico do Hospital Mãe de Deus

 

Inicialmente, o Sistema UM somente está realizando procedimentos de baixa complexidade e alta previsibilidade (cirúrgicos), que evoluirá para um estágio médio (clínicos), e finalmente realizando procedimentos de alta complexidade (cirúrgicos e clínicos). “Com o uso do DRG, tivemos enormes benefícios de gestão clínica. O DRG é uma ferramenta que permite identificar melhor o atendimento dos pacientes. Essa codificação permite identificar mais claramente isso, e o hospital consegue entender melhor o que é cada especialidade, do que é composta, quais são os procedimentos que mais fazemos”, destacou Gonçalves.

 

Os dois palestrantes ressaltaram que a parceria trouxe benefícios. “O ganho compartilhado fundamental é reduzir burocracia fútil, com esse modelo estamos diminuindo o envio de contas, acelerando procedimentos e o tornando mais fáceis de realizar, principalmente para o paciente”, enfatizou o Superintendente Médico do HMD. Gullo analisou o compartilhamento entre as instituições e considerou que estas práticas serão o futuro das instituições de saúde. “O mundo hoje é compartilhado, e dificilmente alguma instituição vá sobreviver sem ser parceira de alguém. Cada vez mais, operadoras e prestadores de hospitais e clinicas vão ter que entender que fazem parte de um sistema e trabalhar de forma compartilhada”, frisou o Diretor de Provimento de Saúde da Unimed.

Os palestrantes ressaltaram que a parceria entre Unimed e Mãe de Deus trouxe benefícios

Os palestrantes ressaltaram que a parceria entre Unimed e Mãe de Deus trouxe benefícios

 

A parceria gerou boa repercussão entre as demais instituições, como ressaltou Gullo. “A repercussão tem sido fantástica. As pessoas estão interessadas em saber como estamos agindo. O mais importante é a postura que as duas instituições estão passando para o mercado, de compartilhar, de trabalhar de forma parceira e integrada. Isso que eu acho o diferencial, não importando a ferramenta, é o DRG, mas poderia ser qualquer outra. Precisamos fazer algo diferente pelo sistema de saúde”, enfatizou.

Os palestrantes salientaram que um dos principais resultados que já podem ser observados é a drástica diminuição no prazo médio de apresentação das contas. “Uma apresentação das contas de procedimentos de parto, que antes do DRG ocorria em média em 32 dias. Com a entrada do DRG, ele começa apresentando em 13 dias e hoje já estamos com média de 8 dias. A nossa meta é chegar em 5 dias”, destacou Gullo, que enfatizou que este procedimento gera desburocratização, agilidade, inclusive nos pagamentos, e economia mútua para os parceiros.

Ricardo Minotto, gerente geral de Serviços Operacionais do Hospital Divina Providência

Ricardo Minotto, Salvador Gullo e Luiz Felipe Gonçalves

 

O coordenador do debate Ricardo Minotto, elogiou a iniciativa e perguntou a Gullo, como a Unimed Porto Alegre está pensando a adoção para outros hospitais. “Ao poucos” respondeu Gullo. Luís Felipe ressaltou que o “DRG não é a solução para tudo, mas que serve para algumas situações, assim como outros modelos se adaptam a certa ocasiões”.

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