Gestão e Qualidade | 13 de setembro de 2023

Sírio-Libanês realiza cirurgia Split-Liver, quando o órgão é dividido e transplantado para dois receptores

No procedimento, um fígado de um doador adulto jovem foi dividido para beneficiar duas crianças, de dois e doze anos.
Sírio-Libanês realiza cirurgia Split-Liver, quando um único órgão é dividido e transplantado para dois receptores

O Hospital SírioLibanês realizou, no início do mês de abril deste ano, um transplante de fígado com a técnica Split-Liver – quando um único órgão é dividido para dois receptores. O procedimento foi realizado poucas vezes pela mesma equipe no Brasil, o que demanda infraestrutura e experiência da equipe transplantadora. Esta é a terceira vez que a equipe faz a divisão e utiliza as duas partes do fígado para seus dois receptores, diminuindo assim, o tempo de espera dos pacientes na fila.

No procedimento realizado no SírioLibanês, um fígado de um doador adulto jovem foi dividido para beneficiar duas crianças, de dois e doze anos. Nesse processo, quando o órgão do doador tiver um tamanho que permita realizar a divisão, o fígado é separado em duas partes desiguais, enviando a menor parte para uma criança e a maior para um pré-adolescente, adolescente ou adulto.


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Logística, estrutura e experiência do time

“Quando os transplantes acontecem na mesma instituição, você necessita da logística, de estrutura e da experiência do time para fazer as operações simultaneamente, reduzindo assim o tempo de isquemia fria, que é o tempo em que o órgão fica fora do corpo, que pode inviabilizá-lo para o transplante”, afirma o Dr. Eduardo Antunes da Fonseca, Cirurgião do Aparelho Digestivo no Hospital SírioLibanês e coordenador da equipe que realizou o procedimento. “A bipartição, ou split, aumenta a oportunidade de transplante para quem está na fila de espera por um órgão, diminuindo o risco de morte”, completa.

A megaoperação contou com uma equipe de dez cirurgiões, quatro anestesistas e dois instrumentadores e durou cerca de dez horas.

“Quando recebemos a notícia que um fígado compatível havia chegado, ainda na madrugada, ficamos muito felizes. São seis anos na fila e, nesse tempo, meu filho não pode fazer atividades normais às crianças da sua idade, como andar de bicicleta e frequentar a escola, por exemplo”, diz Lenice Galdino de Lima, mãe de Diego, o pré-adolescente que recebeu uma das duas partes do fígado. A família, que mora em Limeira, no interior de São Paulo, fez testes, mas nenhum membro era compatível para a doação.


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Já Maiara Pimenta dos Santos, mãe de Esther, de dois anos, enfrentou o drama de ser compatível com a filha, mas não poder doar, por problemas de saúde. Ela conta que, em paralelo à fila de transplante, uma amiga da família estava buscando autorização na justiça para doar. “No dia em que nos chamaram para a cirurgia, chegamos no SírioLibanês achando que essa amiga seria a doadora. Fomos surpreendidos pela notícia de que era um fígado de cadáver. Cheguei a ficar triste pois, para minha filha viver, outra mãe teve que perder seu filho, mas a equipe médica foi maravilhosa e me mostrou que estávamos recebendo uma oportunidade única”, conta.

As crianças beneficiadas pelo transplante fazem acompanhamento no Hospital Municipal Menino Jesus, gerido pelo Instituto de Responsabilidade Social SírioLibanês e referência no atendimento de crianças e adolescentes. A parceria entre o Hospital SírioLibanês e o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), ampliou o atendimento a crianças com patologias graves do fígado e Síndrome do Intestino Curto (SIC) no sistema público.

O Dr. Eduardo reforça também a importância da doação de órgãos e de comunicar o interesse em ser doador para familiares e amigos.

 



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