Saúde em transformação: por que contratos tradicionais já não sustentam a força de trabalho hospitalar
Em artigo, João Hugo Silva (CEO da Clicknurse), destaca: "Adaptar-se a novas formas de contratação e gestão de pessoal significa melhorar o atendimento, reduzir a sobrecarga de profissionais e responder rapidamente às necessidades dos pacientes."
Os hospitais brasileiros enfrentam um desafio crescente: garantir atendimento de qualidade diante da escassez de profissionais de saúde e da pressão por eficiência operacional. Modelos tradicionais de contratação, como a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) com banco de horas, simplesmente não conseguem acompanhar a complexidade e a velocidade exigidas pelo setor hoje.
O modelo CLT foi desenvolvido para um contexto industrial, em que horários fixos e jornadas previsíveis eram suficientes para a produtividade. Na enfermagem, porém, a demanda é imprevisível. Picos de pacientes, variações sazonais e emergências médicas exigem uma força de trabalho flexível, escalável e altamente especializada. Bancos de horas ajudam a gerenciar a jornada, mas não resolvem o problema de alocação de pessoal nos momentos críticos.
Para que os hospitais se mantenham operacionais e competitivos, é preciso repensar completamente como gerenciamos a força de trabalho. Com um mercado nacional de mais de 2,7 milhões de profissionais de enfermagem, segundo o Conselho Federal de Enfermagem, é necessário investir em modelos que permitam acesso a profissionais qualificados sob demanda, integrando tecnologia, dados e escalabilidade.
Adaptar-se a novas formas de contratação e gestão de pessoal significa melhorar o atendimento, reduzir a sobrecarga de profissionais e responder rapidamente às necessidades dos pacientes. Aqueles que permanecerem presos a modelos tradicionais, provavelmente, verão suas operações travadas diante da demanda crescente.
O avanço das plataformas digitais de gestão de profissionais de saúde já demonstra que é possível criar ecossistemas mais inteligentes e responsivos. Ao conectar hospitais a uma rede ampla de enfermeiros e técnicos disponíveis sob demanda, essas soluções reduzem gargalos e oferecem previsibilidade operacional mesmo em cenários de alta pressão.
Outro ponto fundamental é que a adoção de modelos mais flexíveis não beneficia apenas os hospitais, ela também dá mais autonomia aos profissionais. Poder escolher turnos, locais e formatos de atuação significa mais equilíbrio entre vida pessoal e carreira, maior satisfação e, consequentemente, melhores resultados no cuidado com os pacientes. O futuro da saúde depende de reconhecer que a sustentabilidade do sistema está ligada não só à gestão de custos, mas à valorização das pessoas que estão na linha de frente todos os dias.
Por João Hugo Silva, CEO da Clicknurse.