Estatísticas e Análises | 21 de novembro de 2019

Sarampo: 9 milhões de jovens de 20 a 29 anos devem se vacinar em todo o Brasil

No Rio Grande do Sul, foram confirmados 32 casos de sarampo até o dia 13 de novembro
Sarampo 9 milhões de jovens de 20 a 29 anos devem se vacinar em todo o Brasil

Começou na segunda-feira (18) a segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra o sarampo. Segundo o Ministério da Saúde, o foco desta vez são os adultos jovens entre 20 a 29 anos, faixa etária que acumula o maior número de casos confirmados de sarampo, de acordo com o último boletim epidemiológico. São mais de 9 milhões de adultos jovens não vacinados contra a doença ou com o esquema vacinal incompleto, que deve ser com duas doses da vacina.

O lançamento da campanha ocorreu no dia 18, em Brasília, e foi feita pelo ministro interino do Ministério da Saúde, João Gabbardo, e pelo secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira. A realização dessa etapa da campanha é importante para interromper a cadeia de transmissão do vírus do sarampo em jovens desta faixa etária que não tomaram as duas doses da vacina. A campanha faz parte das ações do Movimento Vacina Brasil e o dia D acontecerá no dia 30 de novembro, mesmo dia que a campanha se encerra.

Sarampo


“Nesta etapa, precisamos atingir uma faixa etária que dificilmente adoece e, consequentemente, não costuma visitar os postos de saúde. Então, a estratégia de vacinação também é diferente porque precisamos ir até essa população. Solicitamos aos gestores que se articulem com escolas, universidades, comerciantes e promovam vacinação volante. Essa faixa etária é a maior responsável pela transmissão da doença e, para interromper a cadeia de transmissão de sarampo, precisamos atingir esse público”, destaca o ministro interino da Saúde, João Gabbardo, que também alerta: “As pessoas dessa faixa etária precisam pensar naqueles que são mais suscetíveis às complicações da doença. Neste público, problema não é a gravidade, mas o fator de transmissão da doença”, concluiu o ministro interino.


Para atender a demanda, o Ministério da Saúde enviou 5,2 milhões de doses extras da vacina tríplice viral aos estados em outubro. Além disso, há 2,3 milhões de doses, enviadas durante a primeira etapa da campanha, em estoque dos estados. Para novembro, está prevista a entrega de mais de 4 milhões de doses pelos fornecedores, que serão enviadas aos estados conforme a necessidade, totalizando 11,3 milhões de doses extras. A vacinação direcionada para este público reduz a possibilidade de aglomeração nas Unidades de Saúde em decorrência da procura da vacina.

Para o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, ainda é preciso esclarecer que há recomendações importantes às gestantes, que não podem tomar a vacina durante a gestação, mas que precisam se proteger antes de engravidarem. “Caso a mulher esteja grávida ao tomar a vacina, a recomendação é que seja feito acompanhamento. O público de 20 a 29 anos comporta um grande número de mulheres em idade fértil e é importante que se vacinem, caso não estejam grávidas”, afirma.


O surto de sarampo ainda se encontra em atividade no país. Atualmente, 5.660 casos foram confirmados e 19 estados se encontram em transmissão ativa. A maioria dos casos (90,5%) estão concentrados em 176 municípios (27%) do estado de São Paulo, principalmente na região metropolitana. De janeiro deste ano a 26 de outubro, 10.429 casos de sarampo foram confirmados em todo o Brasil. Os dados acumulados são de surtos da região norte do país, iniciado em fevereiro de 2018 e iniciado em São Paulo por um navio, em maio deste ano.


Embora a operacionalização da segunda etapa da campanha seja realizada de acordo com a realidade de cada localidade, especialmente no que se refere a recursos humanos e logísticos, para facilitar o acesso do público-alvo, a vacinação pode ser oferecida em lugares estratégicos de concentração de pessoas, como centros comerciais, religiosos, praças, praias, rodoviárias, empresas, instituições de ensino, entre outros. Em áreas de difícil acesso, também é possível organizar postos móveis com participação de líderes e agentes comunitários de saúde. Além disso, a vacinação de puérperas por ser promovida em maternidades. Outra estratégia para fortalecer o acesso à vacinação pode ser a abertura de postos de vacinação aos sábados, domingos ou em horários ampliados.

Metas de vacinação

A Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo é uma estratégia para interromper a circulação do vírus da doença no país e acontece de forma seletiva em duas etapas. A primeira etapa aconteceu no período de 7 a 25 de outubro com objetivo de proteger as crianças de 6 meses a 5 anos, grupo mais vulnerável às complicações, sequelas e óbitos. O Brasil atingiu a meta de vacinação de sarampo de 2019 com 97% de cobertura vacinal em crianças de até 1 ano, melhor cobertura vacinal dos últimos cinco anos. Dezesseis estados superaram o índice de 95% das crianças vacinadas. Outros 10 estados e o Distrito Federal ainda precisam buscar a meta para evitar a doença. Os estados que atingiram a meta de vacinação são: Alagoas, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Espírito Santo, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Sergipe, Rio Grande do Sul, Tocantins, Goiás, São Paulo, Rondônia, Rio Grande do Norte e Paraíba. Em relação aos municípios, 34,5% (1.923) precisam reforçar os esforços para atender a meta de vacinação.

Mais recursos

O Ministério da Saúde já disponibilizou R$ 103 milhões (metade do bônus de R$ 206 milhões) criado para incentivar os municípios brasileiros a vacinar em massa crianças entre seis meses e cinco anos de idade. O dinheiro foi repassado no dia 18 de outubro para os fundos municipais de saúde, de acordo com o tamanho da população de cada cidade.

O plano, feito pelo Ministério da Saúde, é premiar os municípios que cumpram metas em relação à vacinação. A outra metade do bônus, outros R$ 103 milhões, portanto, só será liberada para aqueles que alcançarem 95% de cobertura vacinal da primeira dose da tríplice viral em crianças de 12 meses de idade e também informar ao Ministério e à Secretaria Estadual de Saúde do estoque das vacinas de poliomielite, tríplice viral e pentavalente guardadas nas unidades de saúde.

Saiba mais sobre a vacinação aqui. 

Rio Grande do Sul discute ações em reunião

O aumento da circulação do sarampo em território nacional e no Rio Grande do Sul, assim como uma possível chegada do vírus da febre amarela em solo gaúcho foram os assuntos levados a debate na segunda reunião do Comitê de Avaliação e Monitoramento dos Eventos de Saúde Pública, na quarta-feira (20), na Secretaria da Saúde.

A especialista em saúde do Núcleo de Doenças Transmissíveis do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Juliana Dourado Patzer, informou que, no Brasil, foram confirmados 5.660 casos de sarampo apenas nos últimos 90 dias. Os jovens de 20 a 29 anos são os que mais contraíram a doença, somando cerca de 30% das confirmações – faixa etária atingida pela segunda etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a doença, que iniciou nesta semana e segue até o fim do mês de novembro. “É um público que mais dificilmente vai ao posto de saúde para receber uma dose, por conta de horário de trabalho e estudos”, exemplificou Juliana.

Reuniao_SES_Sarampo_Febre_Amarela

A representante do Comitê da Secretaria da Educação, Carem Fortunato, comentou que a partir de 2020, será exigida a caderneta de vacinação das crianças no momento da matrícula na rede de ensino estadual. “Esta é uma ótima notícia. É um exemplo de ações conjuntas entre secretarias para entregar resultados concretos à população”, elogiou a secretária Arita Bergmann.

No Rio Grande do Sul, foram confirmados 32 casos de sarampo até o dia 13 de novembro. Os casos são das cidades de Alvorada (1), Porto Alegre (12), Dois Irmãos (1), Cachoeirinha (10), Gravataí (4), Ijuí (2) e Canoas (2).

Em relação à febre amarela, o biólogo Marco Antônio de Almeida e a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Cevs, Tani Ranieri, apresentaram o trabalho de vigilância que está sendo reforçado na divisa com Santa Catarina. “Não temos a ocorrência da circulação do vírus da febre amarela no Rio Grande do Sul desde 2009, mas vem sendo registrado casos no Brasil desde o Tocantins. O vírus está descendo e já está em circulação em Santa Catarina”, explica Marco Antônio. “Este é o maior surto do tipo silvestre da doença na história do Brasil”, completa.

Equipes do Cevs estão visitando residências nas áreas rurais, próximas à divisa com Santa Catarina na possível rota de chegada do vírus no Estado, pela Serra ou pelo Litoral. Já foram realizadas 10 expedições em 17 municípios, alcançando 490 casas e cerca de 1,3 mil pessoas. Estão programadas ainda mais duas expedições.

A presença do vírus nestas regiões pode ser vigiada por meio do registro de morte de primatas. “As pessoas estão sendo instruídas a notificar se houver macacos mortos. A população de risco que ainda não recebeu a vacina está recebendo uma dose, e também estão sendo instruídas em relação à doença. Assim estamos formando um cinturão de vigilância”, disse o biólogo. Um material com informações sobre a febre amarela foi lançado pela Secretaria da Saúde e pode ser acessado no link abaixo.

Cartaz Febre Amarela

Comitê

O Comitê de Avaliação e Monitoramento dos Eventos de Saúde Pública foi instituído oficialmente em setembro deste ano. Sua atuação busca facilitar a tomada de ações de monitoramento e resposta em situações que podem constituir potencial ameaça, como surtos e epidemias, doenças de causa desconhecida, alteração no padrão de doenças conhecidas, levando em conta a disseminação, gravidade e vulnerabilidade desses agravos. Na reunião desta quarta-feira, além de técnicos do Cevs, estiveram presentes representantes das secretarias estaduais da Educação, Justiça e Direitos Humanos, Famurs e Casa Militar.

 

Com informações Ministério da Saúde e SES/RS.

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