Santa Casa de Porto Alegre amplia atendimentos a pacientes do SUS
Por meio do programa Agora Tem Especialistas, instituição presta atendimentos e realiza procedimentos em troca de créditos financeiros para pagamento de tributos federais vencidos ou a vencer.
Passava das 20h30 da última terça-feira (3/2) quando o semblante de Viviane Brunhaus finalmente relaxou, demonstrando alívio e alegria. Minutos antes, um membro da equipe médica da Santa Casa de Porto Alegre havia informado que a cirurgia de Matheus Brunhaus Montiguiny, seu filho de 17 anos, terminara e fora bem-sucedida.
Ele finalmente retirou um cisto pilonidal no fim das costas, que o incomodava há mais de um ano, ao ser chamado para realizar o procedimento logo após a Santa Casa de Porto Alegre aderir ao programa Agora Tem Especialistas, que está abrindo as portas de hospitais privados como o que atendeu Matheus para pacientes da rede pública de saúde. No local, serão realizados, por ano, mais de 4 mil cirurgias para a rede pública de saúde.
Para Matheus, a cirurgia de retirada do cisto, uma espécie de pequena bolsa na pele que se forma entre o final da coluna e o início das nádegas, foi a saída para voltar a viver bem e sem receios. Matheus vivia com dores, desconfortos e o constante medo de inflamar e gerar uma infecção grave. O cisto poderia se romper e sangrar a qualquer momento, o que aconteceu quando a família descobriu que o jovem tinha a condição, em janeiro de 2025.
Naquele dia, Matheus se assustou ao começar a sangrar e chamou a mãe. “Quando fui olhar, era bem no finalzinho da coluna, no início do cóccix. Tinha um furinho e tava tudo inflamado”, conta. Com o susto, a família foi na UBS Santa Marta, no centro de Porto Alegre. Foram atendidos e veio o diagnóstico: cisto pilonidal. O tratamento era um só: operar. “É uma bolsinha de inflamação que vai aumentando, aumentando e não tem como, só cirurgia mesmo”, explica Viviane.
A família foi direcionada para a Santa Casa de Porto Alegre, que fez exames, consultas e acompanhamento, mas a cirurgia não estava próxima de acontecer. Foi só quando a unidade de saúde aderiu ao programa Agora Tem Especialistas, no fim de 2025, que o tão esperado procedimento foi marcado.
Por isso, na noite do último dia 3 de fevereiro, quando Viviane ouviu da boca do médico que a cirurgia de seu filho Matheus havia terminado com sucesso, o coração de mãe pôde finalmente sossegar.
Atendimentos em troca de créditos financeiros para pagamento de tributos federais vencidos ou a vencer
Assim como Matheus, outros pacientes do SUS já estão sendo atendidos pela Santa Casa de Porto Alegre sem nenhum custo para eles. A unidade de saúde oferece ao SUS 75tipos de cirurgias, entre procedimentos gerais, cardiológicos, oftalmológicos, ortopédicos e oncológicos, que representam mais de R$ 15 milhões em atendimento em um ano. Em contrapartida aos atendimentos, receberá créditos financeiros para pagamento de tributos federais vencidos ou a vencer.
Desde 9 de janeiro até a segunda semana de fevereiro, 262cirurgias já foram realizadas. As três especialidades mais executadas foram procedimentos oftalmológicos (72 cirurgias), plásticas reparadoras (20) e cirurgia de câncer do colo do útero (11).
Os procedimentos têm sido realizados no terceiro turno, à noite, ou nos finais de semanas e feriados. “Há todo um grupo de técnicos de enfermagem e médicos, toda assistência do hospital em prol desse projeto. Todo o hospital está mobilizado, uma força muito grande de trabalho para que a gente consiga vencer a fila de espera”, explica Daniel Azambuja, coordenador do segmento cirúrgico da Santa Casa.
Criado pelo governo federal para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, o programa Agora Tem Especialistas visa desafogar a demanda reprimida, em apoio aos estados e municípios. Para isso, há várias ações em andamento que incluem a ampliação do uso das estruturas públicas e a mobilização do setor de saúde privado, que atua pelo programa de forma complementar.
Mais cirurgias no SUS
Marilene Aquistapace Cerone, de 79 anos, também foi atendida na Santa Casa de Porto Alegre graças ao programa Agora Tem Especialistas. No último dia 24, a iniciativa do governo federal colocou um fim na espera de dois anos por uma cirurgia de retirada de vesícula, que volta e meia causava muitas dores na moradora de Porto Alegre.
Natural de São José do Norte (RS), ela celebra o SUS, sistema que a permitiu realizar outras cirurgias, como reparação nos dois joelhos, a retirada de hérnia umbilical e uma cirurgia de catarata. Mas, dessa vez, a espera foi bem menor, já que Marilene chegou a esperar quatro anos pela cirurgia de joelho.
“Não tenho queixa do SUS, fui e sou muito bem atendida”, afirma. Ela recorda a ligação recebida da equipe da Santa Casa, cerca de duas semanas antes da cirurgia, para marcar o procedimento. O sentimento foi de felicidade. “Era o que eu estava esperando”, comenta.
Assim como Matheus, a cirurgia de Marilene também foi bem-sucedida e, desde então, ela tem tido uma boa recuperação. Recentemente retirou os pontos e consultou com o médico da Santa Casa de Porto Alegre quando completou 10 dias da cirurgia. O procedimento transcorreu conforme planejado pela equipe médica e, no mesmo dia, Marilene voltou para sua casa. “Não tenho do que reclamar, sinceramente, não tenho”, afirma.
Atendimentos pela rede privada já acontecem no país
A participação dos hospitais privados e filantrópicos no Agora Tem Especialistas tem avançado no Brasil com a realização de cirurgias de média e alta complexidade para a rede pública de saúde, sem custo para a população beneficiada. Com o reforço dos grupos que aderiram ao programa do governo federal, o SUS passa a ofertar R$ 200 milhões em atendimentos pela rede privada, que equivalem a cerca de 85 mil cirurgias e exames a mais para a população brasileira.
Considerando os quatro grupos hospitalares que já aderiram ao programa – Amil, Rede D’Or, Grupo Athenas e Hapvida -, 40 hospitais particulares e planos de saúde estão prontos para atuar em 13 estados: Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Ceará, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.
No Brasil, pelo menos 15 estabelecimentos privados já abriram suas portas para o SUS: além da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS), o Hospital das Clínicas de Alagoinhas (BA), Santa Casa de Misericórdia de Sobral (CE), Hospital Maternidade São Vicente de Paulo (CE), Vitória Apart Hospital (ES), Associação de Assistência Social da Santa Casa de Misericórdia de Araxá (MG), Fundação Educacional Lucas Machado – FELUMA (MG) –, Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte (MG), Irmandade do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas (MG), Centro Especializado em Olhos (HOF Hospital Oftalmológico Dra. Cynthia Charone) (PA), Sociedade Hospitalar Gadelha de Oliveira Ltda (PB), Hospital Med Imagem (PI), o Hospital Santa Maria Ltda (PI) e o Athena Healthcare Holding S.A. (RN).
Mais de 200 propostas estão aprovadas pelo Ministério da Saúde, o que deve expandir o atendimento privado gratuito para todo o Brasil.
A participação da rede privada para aumentar o número de atendimentos na rede pública só é possível pela adoção de um modelo pioneiro no sistema de saúde brasileiro: a oferta de serviços de média e alta complexidade em troca de créditos para o pagamento de tributos federais vencidos ou a vencer; ou de Certificados de Ressarcimento ao SUS (COR) usados para quitação de dívidas com o Fundo Nacional de Saúde. Essas dívidas ocorrem quando a rede pública realiza procedimentos que deveriam ser prestados pelo plano contratado.
Com informações e foto (Luciano Velleda) do Ministério da Saúde. Edição SS.