Estatísticas e Análises | 24 de março de 2016

Rio Grande do Sul registra 11 casos de zika vírus

Secretaria da Saúde atualizou os dados no dia 24
Rio Grande Sul registra 11 casos de zika vírus

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) divulgou nesta quinta-feira, 24, em entrevista coletiva à imprensa, a atualização semanal dos casos de dengue, chikungunya e zika no RS. O boletim traz, entre outros números, a confirmação de quatro casos novos de zika vírus em relação à semana passada. Um deles, de uma gestante residente em Ivoti e que trabalha em Novo Hamburgo, é autóctone, ou seja, contraído dentro do Estado. Os outros três são importados, em residentes em Bom Jesus, Garibaldi e Tramandaí. Com esses, passam a onze o número total de casos de zika no RS em 2016.

Quanto à dengue, estão confirmados até o momento 386 casos da doença, sendo 258 nativos do RS. No mesmo período do ano passado, eram 378 casos no total, sendo 306 autóctones. Das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, a única que ainda não apresenta circulação no Estado é a chikungunya. Neste ano, já foram notificados 150 casos suspeitos, sendo quatro confirmados. Todos eles são importados, de residentes em Porto Alegre, Santa Maria, Estância Velha e Rio Grande, com viagem para os estados da Bahia e Pernambuco.

Nas 12 primeiras semanas deste ano, o RS notificou 230 casos suspeitos de febre pelo zika vírus. O caso autóctone anunciado nesta semana, em Ivoti, também é em uma gestante, que está no último trimestre de gravidez, com parto previsto para início de abril. Foi ainda confirmado pela SES um caso de zika em uma pessoa residente em Niterói, no Rio de Janeiro.

Em relação à atual situação epidemiológica do Estado, com o aumento do número de notificações e dos casos já confirmados, foram definidas algumas ações como prioritárias para os próximos dias. “Estamos solicitando que os municípios coloquem todos os seus agentes (comunitários, de endemia e visitadores do PIM) para realizarem as visitas domiciliares, com o objetivo de eliminar os criadouros do mosquito”, reforçou o secretário João Gabbardo dos Reis na coletiva. Além disso, os municípios que apresentam casos registrados como autóctones devem criar um comitê para monitoramento. “Também estamos insistindo com os municípios que apresentam baixa taxa de visitação domiciliar para que realizem um trabalho mais efetivo nesse sentido. Com a circulação do vírus nas proximidades, como o caso de Novo Hamburgo, as gestantes devem ter cuidados redobrados: fazer uso de repelente, tomar um cuidado maior com a vizinhança e o próprio domicílio”, completou.

Microcefalia e outras alterações

Desde a implantação da vigilância de microcefalia e/ou alterações do Sistema Nervoso Central, o Rio Grande do Sul vem buscando fomentar junto aos profissionais de saúde o registro e notificação dos casos que atendem os protocolos vigentes. Por meio de uma busca ativa em prontuários, o Estado teve, desde outubro do ano passado, 56 notificações compatíveis com as definições atuais do Protocolo do Ministério da Saúde. Dessas, um caso teve a confirmação da relação com zika vírus pela mãe. Outros 30 já tiveram essa relação descartada e 25 seguem em investigação.

Acesse o Boletim Epidemiológico do dia 24/3

Brasil

Em uma semana, cresceu 5,1% o número de casos confirmados de microcefalia e demais alterações do sistema nervoso causadas pelo vírus zika e outras infecções. São 907 casos, ante 863 na semana passada. Além disso há outros 4.293 em investigação e 1.471 suspeitas já descartadas. Os números, que cobrem os anos de 2015 e 2016, fazem parte de boletim divulgado na terça-feira, dia 22, pelo Ministério da Saúde.

Exames laboratoriais confirmaram a ligação com o vírus zika em 122 casos. Mas, apesar de haver outras possíveis causas infeciosas para a microcefalia, como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes viral, o Ministério da Saúde diz que esse número não representa adequadamente a quantidade de casos associados à zika. A pasta explica que, passado algum tempo após a infecção, é difícil detectar o vírus. Assim, considera que, na maior parte dos 907 casos confirmados, houve sim contaminação pelo vírus zika. Ao todo, são 6.671 notificações, o que inclui casos confirmados, em investigação e até mesmo descartados. Até a semana passada, tinham sido registradas 6.480 notificações. Segundo o Ministério da Saúde, os casos descartados apresentaram exames normais ou microcefalias com origem em outras causas.

Além disso, o boletim divulgado nesta semana registra 198 mortes suspeitas de microcefalia ou outra alteração do sistema nervoso central, seja após o parto, seja durante a gestação. Ao todo, 46 foram confirmadas, 130 estão sob investigação e 22 foram descartadas.

A microcefalia é uma malformação em que os bebês nascem com a cabeça menor que o normal. Exames feitos por laboratórios ligados ao Ministério da Saúde mostram uma associação entre a epidemia de microcefalia, que atinge principalmente o Nordeste, e o vírus zika, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue e da chicungunya.

Os casos confirmados ocorreram em 348 municípios de 19 unidades da federação. Pernambuco continua sendo o estado com mais confirmações: 268. Em seguida vêm outros estados do Nordeste: Bahia (170), Paraíba (91), Rio Grande do Norte (81), Ceará (68), Piauí (62), Maranhão (53), Alagoas (41) e Sergipe (26). Fora do Nordeste, o estado com mais casos confirmados é Mato Grosso (13). Logo depois aparecem Rio de Janeiro (9), Goiás (9), Espírito Santo (4), Distrito Federal (3), Rondônia (3), Mato Grosso do Sul (2), Minas Gerais (2), Pará (1) e Rio Grande do Sul (1).

Em sete estados – Acre, Amazonas, Paraná, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins -, não houve confirmação, apenas notificação. O Amapá é o único estado em que sequer houve notificação.

Segundo o Ministério da Saúde, há transmissão autóctone do vírus zika em 23 unidades da federação. Em outras palavras, as pessoas são infectadas dentro do próprio estado, e não em viagem a outros locais. Estão fora da lista, por enquanto, apenas Acre, Amapá, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Isso não quer dizer necessariamente que não haja transmissão autóctone nesses lugares. Indica apenas que não houve, ainda,  confirmação laboratorial da infecção por zyka vírus nestes estados.

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