Estatísticas e Análises | 13 de setembro de 2017

Reposição de testosterona melhora funções urinária e sexual em longo prazo

Pesquisador alerta para o tabu que existe contra o uso da testosterona
Reposição de testosterona melhora funções urinária e sexual em longo prazo

Homens com deficiência de testosterona que receberam tratamento de reposição deste hormônio notaram melhoras nas funções urinária e sexual, assim como melhora na qualidade de vida, de acordo com um novo estudo publicado na revista científica Journal of Urology.

Pesquisadores fizeram o acompanhamento de 656 homens com hipogonadismo – glândulas não produzem hormônios sexuais suficientes – por até 10 anos e descobriram que aqueles que receberam terapia com o hormônio tiveram significativamente menos problemas urinários e menor probabilidade de apresentar disfunção erétil.

O autor principal, Abdulmaged Traish, Doutor no Departamento de Urologia da Boston University School of Medicine, acredita que a terapia com testosterona “é bem tolerada, com aprimoramento progressivo e sustentado nas funções urinária e sexual, e melhora geral na qualidade de vida”.

Apesar do temor de que o tratamento possa aumentar o tamanho da próstata e levar à problemas urinários, isso não foi observado no grupo analisado. O estudo incluiu homens que buscaram tratamento médico devido a sintomas urológicos. Os participantes tinham, em média, 60 a 72 anos.

Após um intervalo inicial de seis semanas, 360 homens receberam 1.000 mg de undecanoato de testosterona a cada 12 semanas por até 10 anos. Os 296 homens que optaram por não receber tratamento com testosterona serviram como o “grupo controle” para a análise. O acompanhamento médico dos dois grupos foi de oito anos.

As análises dos fatores iniciais identificaram diferenças significativas entre homens que receberam e que não receberam a terapia com o hormônio, em termos de idade média e índice de massa corporal.

Para o controle destas diferenças, os pesquisadores realizaram uma correspondência de propensão, selecionando 82 pacientes de cada grupo, pareados por idade, circunferência da cintura e índice de massa corporal.

Como esperado, o tratamento restaurou os níveis de testosterona para a faixa fisiológica no primeiro ano, e permaneceu nesse nível pelo restante do período de acompanhamento. Homens tratados com testosterona apresentaram grandes reduções na disfunção erétil, particularmente durante os dois primeiros anos.

Ao considerar o equilíbrio entre o risco e os benefícios da terapia, o autor afirmou que estudos anteriores ligando o tratamento a riscos cardiovasculares foram desacreditados, e diversos outras pesquisas demonstram que ela (testosterona) pode proteger contra esses eventos.

“Ainda consideramos algumas coisas como tabus na nossa sociedade. É isso que acontece [em relação ao uso da testosterona]. Se riscássemos a palavra testosterona e chamássemos de qualquer outra coisa, as pessoas teriam menos problema com isso”, explica Abdulmaged Traish.

Com informações Medscape. Edição SS. 

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