Proteína pode frear tumor cerebral agressivo
Medicamento deve chegar ao mercado em quatro anos
Uma pesquisa liderada pelo Instituto de Oncologia de Vall d’Hebron (VHIO), na Espanha, demonstrou que a inibição da proteína Myc, presente no desenvolvimento de diferentes cânceres, pode ser uma estratégia eficaz contra o glioma, um tipo agressivo de tumor cerebral.
O trabalho foi publicado na revista Nature Communications e sugere nova abordagem terapêutica para casos onde houve mau prognóstico do câncer, já que a inibição da proteína age no tumor já formado e contra células progenitoras, impedindo a proliferação. Em 2013, a equipe especializada em terapias antitumorais do VHIO conseguiu eliminar tumores de pulmão com a mesma estratégia. Além disso, foi confirmado que não há efeitos colaterais ou resistência ao tratamento.
Atualmente, o grupo tenta desenvolver uma droga inibidora da proteína Myc. A expectativa é criar um fármaco contra outros tipos de câncer agressivos e ainda sem um tratamento efetivo. Os experimentos demonstraram que a inibição funciona em tumores de ratos e seres humanos. Os testes consistiam em dirigir o tratamento ao tumor que afeta o sistema nervoso central.
A proteína Myc controla até 15% dos genes humanos e está envolvida no processo de proliferação e morte celular programada – necessária para a regeneração dos tecidos – mas podem provocar uma proliferação celular descontrolada, o que origina cânceres como os de mama, cólon, pulmão, pâncreas, estômago, cérebro, entre outros. O novo medicamento busca a mutação das células tumorais, aumentando de tamanho ou gerando dois núcleos, o que as leva a desaparecer sem chances de reprodução.
Os pesquisadores envolvidos no estudo garantem que o tratamento atinge apenas os tecidos danificados, sem provocar efeitos graves ou prejudiciais no organismo e informam que o medicamento poderia chegar ao mercado entre três e quatro anos.