Gestão e Qualidade | 15 de abril de 2013

Planos de saúde de autogestão no vermelho

Cassi e Assefaz somam, juntas, déficit de R$ 145 milhões em 2012 e tentam evitar intervenção fiscal da ANS
Planos de saude de autogestao no vermelho

Pelo menos mais outras duas operadoras de planos de saúde de autogestão estão com problemas financeiros em suas contas. A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) e a Fundação Assistencial dos Servidores do Ministério da Fazenda (Assefaz) teriam encerrado 2012 com rombos preocupantes em seus respectivos caixas. Adicione-se estes dados à recente intervenção, no final de março, procedida pela ANS na Geap – entidade  que administra os planos de saúde de 625 mil servidores públicos federais e seus dependentes, por déficit de mais de R$ 300 milhões em suas contas.

A Cassi tem 855 mil beneficiários e, nos últimos cinco anos conseguiu manter superávit em suas contas. Porém, em 2012, seu balanço apresenta déficit de 107,6 milhões. A Cassi comprometeu 9,4% do arrecadado com despesas administrativas, quando o aceitável gira em torno de 7%. Para tentar reverter esse quadro, a instituição começou a cortar gastos já ao longo de 2012.

Já a Assefaz teve um resultado proporcionalmente muito pior. Com uma carteira de beneficiários de 96,3 mil servidores e dependentes, a fundação encerrou 2012 com um rombo de R$ 37,2 milhões. O último déficit da entidade dos servidores da Fazenda, de R$ 15,2 milhões, havia sido registrado em 2008.

Tanto a Cassi, quanto a Assefaz, foram obrigadas a recorrer às reservas técnicas constituídas nos últimos anos. Por enquanto, ambas estão com condições de honrar seus compromissos com o atendimento médico dos seus beneficiários. Outra medida será repassar a conta aos seus usuários, que terão um aumento das mensalidades acima da média esperada, que deve ficar entre 8% e 10% para o mercado em geral.

 

Maus resultados

O aumento das despesas com atendimento médico-hospitalar dos beneficiários, para atender recomendações da ANS, é um dos argumentos apontados pelas duas fundações pelo mau desempenho em 2012. Ambas também culpam a remodelagem de planos por ordem do órgão regulador, o que teria impactado negativamente as receitas.

A Assefaz também prevê aumento de 16% na mensalidade e a redução de exames de maior complexidade. Até o ano passado, a operadora autorizava tratamentos não convencionais, não constantes no rol da ANS, sem cobrar qualquer adicional do beneficiário. Agora, diante do prejuízo constatado, pretende negar a autorização aos exames que não estiverem estritamente previsto no contrato com cada usuário.

 

 

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