Planos de saúde de autogestão no vermelho
Cassi e Assefaz somam, juntas, déficit de R$ 145 milhões em 2012 e tentam evitar intervenção fiscal da ANS
Pelo menos mais outras duas operadoras de planos de saúde de autogestão estão com problemas financeiros em suas contas. A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) e a Fundação Assistencial dos Servidores do Ministério da Fazenda (Assefaz) teriam encerrado 2012 com rombos preocupantes em seus respectivos caixas. Adicione-se estes dados à recente intervenção, no final de março, procedida pela ANS na Geap – entidade que administra os planos de saúde de 625 mil servidores públicos federais e seus dependentes, por déficit de mais de R$ 300 milhões em suas contas.
A Cassi tem 855 mil beneficiários e, nos últimos cinco anos conseguiu manter superávit em suas contas. Porém, em 2012, seu balanço apresenta déficit de 107,6 milhões. A Cassi comprometeu 9,4% do arrecadado com despesas administrativas, quando o aceitável gira em torno de 7%. Para tentar reverter esse quadro, a instituição começou a cortar gastos já ao longo de 2012.
Já a Assefaz teve um resultado proporcionalmente muito pior. Com uma carteira de beneficiários de 96,3 mil servidores e dependentes, a fundação encerrou 2012 com um rombo de R$ 37,2 milhões. O último déficit da entidade dos servidores da Fazenda, de R$ 15,2 milhões, havia sido registrado em 2008.
Tanto a Cassi, quanto a Assefaz, foram obrigadas a recorrer às reservas técnicas constituídas nos últimos anos. Por enquanto, ambas estão com condições de honrar seus compromissos com o atendimento médico dos seus beneficiários. Outra medida será repassar a conta aos seus usuários, que terão um aumento das mensalidades acima da média esperada, que deve ficar entre 8% e 10% para o mercado em geral.
Maus resultados
O aumento das despesas com atendimento médico-hospitalar dos beneficiários, para atender recomendações da ANS, é um dos argumentos apontados pelas duas fundações pelo mau desempenho em 2012. Ambas também culpam a remodelagem de planos por ordem do órgão regulador, o que teria impactado negativamente as receitas.
A Assefaz também prevê aumento de 16% na mensalidade e a redução de exames de maior complexidade. Até o ano passado, a operadora autorizava tratamentos não convencionais, não constantes no rol da ANS, sem cobrar qualquer adicional do beneficiário. Agora, diante do prejuízo constatado, pretende negar a autorização aos exames que não estiverem estritamente previsto no contrato com cada usuário.