Estatísticas e Análises | 4 de janeiro de 2016

Pesquisa avalia relação entre o consumo de álcool e o risco de câncer

Foram avaliadas influências para câncer no estômago, cólon, reto, fígado, bexiga, pâncreas, próstata, mama e ovário
Pesquisa avalia relação entre o consumo de álcool e o risco de câncer

Na tentativa de tentar traçar parâmetros mais consistentes da influência do consumo de bebidas alcoólicas e o aparecimento do câncer, um estudo do tipo meta-análise (integração estatística de resultados de outras pesquisas) foi realizado pelo National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA) dos EUA. As informações foram divulgadas pelo portal norte-americano Cancer Network.

O uso excessivo de álcool pode ser correlacionado a um maior risco de diferentes tipos de câncer, como no estômago, cólon, reto, fígado, mama e ovário. Mas em doses adequadas, pode ajudar a afastar os riscos. Leia abaixo:

Colorretal

Um estudo da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (International Agency for Research on Cancer) constatou que o consumo de álcool está associado com o risco de câncer colorretal. Artigos publicados antes de maio de 2010, incluiram 34 estudos tipo caso-controle, ou seja, desenvolvem o foco em um grupo de indivíduos acometidos pela doença em estudo ( caso) comparando-os com outro grupo de indivíduos com características semelhantes, diferindo somente por não apresentarem a referida doença,( os controles). Foram avaliados em pelo menos três categorias de hábitos de ingestão de álcool (leve, moderada, pesada) e constatou-se que o risco relativo (RR) foi maior em bebedores pesados ​​(1,52).

O RR expressa uma comparação matemática da probabilidade do risco de adoecer entre grupos de expostos e não-expostos a um determinado fator em estudo (no caso, o alcoolismo). O cálculo é feito a partir da divisão do risco no grupo de expostos pelo risco do grupo de não-expostos. Quando o RR é menor que 1, a associação sugere que o fator estudado teria uma ação protetora; um valor igual a 1 indica ausência de associação; e o RR maior que 1 sugere um fator de risco. Quanto maior o RR, maior a força da associação entre exposição e o efeito estudado.

Pâncreas

Um estudo de caso-controle publicado na PLoS ONE descobriu que o consumo de álcool não foi significativamente associado ao risco de câncer de pâncreas, a menos que o uso do tabaco seja associado. Para os fumantes, o consumo de álcool apresenta o dobro de risco. Caso contrário, as evidências não mostram uma correlação forte (0,78 para quem ingere de 1 a 3 doses por semana; 0,86 para 4 a 20 doses por semana).

Gástrico e esofágico

Uma meta-análise do Annals of Oncology, que incluiu 20 estudos de caso-controle e quatro de coorte, constatou que o RR para os bebedores, em comparação aos não bebedores foi de 0,96 em geral; de 0,87 para adenocarcinoma de esôfago; e 0,89 para o adenocarcinoma gástrico da cárdia. Para as pessoas que bebiam álcool regularmente, os RRs agrupados foram de 0,86 para o consumo leve (até 1 dose por dia), 0,90 para a ingestão moderada (até 4 doses por dia), e 1,16 para o consumo pesado (acima de 4 doses por dia). Os autores concluíram que nenhuma associação foi encontrada em seu estudo, mesmo para os bebedores pesados.

Próstata

Um estudo europeu buscou uma ligação definitiva entre o consumo de álcool e o risco de câncer de próstata. Uma meta-análise de estudos epidemiológicos descobriu que o risco relativo global para qualquer ingestão de álcool – em comparação a nenhuma ou muito pouca ingestão – foi de 1,06. Além disso, os RRs foram de 1,05 para o consumo leve (1 dose por dia), 1,06 para o consumo moderado (1 a 4 doses por dia) e 1,08 para consumo pesado (acima de 4 doses por dia). Os autores concluíram que não houve associação entre o consumo de álcool e o risco de câncer de próstata.

Ovário

A falta de provas consistentes entre o consumo de álcool e o risco de câncer de ovário motivou uma pesquisa, publicada na BMC Public Health, que revisou 13 estudos prospectivos que incluíam 5.857 casos de câncer de ovário para tentar confirmar uma relação entre a bebida e a incidência de câncer de ovário. Em comparação com os não-bebedores, a ingestão de álcool teve pouco ou nenhum efeito sobre a incidência da doença (RR 1,03). Além disso, a análise de subgrupos mostrou uma associação do baixo consumo de álcool com um risco reduzido de câncer de ovário. O consumo abusivo de álcool, por sua vez, foi associado com um risco aumentado de câncer de ovário em várias sub-populações.

Bexiga

Uma meta-análise, englobando 16 estudos de caso-controle e três de coorte (sendo 11.219 casos de câncer de bexiga) descobriu que os riscos relativos de câncer de bexiga foram de 1,00 para o consumo moderado de álcool (acima de 3 doses por dia) e 1,02 para o consumo exagerado (acima de 3 doses por dia). Depois de excluírem quatro estudos – devido à sua falta de ajuste para o uso do tabaco -, os pesquisadores descobriram que os riscos relativos foram de 0,98 (consumo leve) e 0,97 (consumo pesado). Os autores concluíram que não houve associação entre o consumo de álcool e o risco de câncer de bexiga.

Linfoma Não-Hodgkin

Uma meta-análise com 21 estudos de caso-controle e oito de coorte (totalizando 18.759 casos de linfoma não-Hodgkin) constatou que o risco relativo global de linfoma não-Hodgkin para alcoólatras em comparação a não-bebedores foi de 0,85. Entre os grupos RRs agrupados foram de 0,88 para consumo leve (até 1 drink por dia), 0,87 para o consumo moderado (1 a 4 doses por dia) e 0,84 para consumo pesado (mais de 4 doses por dia). Não houve associação para os bebedores leves em estudos de coorte. No entanto, para os bebedores moderados e pesados, os riscos relativos foram semelhantes nos estudos caso-controle (0,85 para moderada, 0,92 para os pesados) e coorte (0,89 para moderada, 0,79 para os pesados). Os autores concluíram que há uma associação entre o consumo de álcool e o risco de linfoma não-Hodgkin.

Fígado

Acredita-se que há uma forte associação entre o consumo de álcool e o risco de câncer de fígado. No entanto, não há estabelecido uma relação consistente entre o nível de ingestão e esse risco. Uma meta-análise feita pela Sociedade Europeia de Oncologia Médica (European Society for Medical Oncology) com 19 estudos de coorte constatou que os riscos relativos foram de 0,91 para o consumo moderado de álcool (acima de 3 doses por dia) e 1,16 para o consumo alto (mais de 3 doses por dia). Os autores concluíram que há um risco médio de desenvolver câncer de fígado com uma ingestão acima de 3 doses por dia, e uma falta de associação com o consumo moderado, embora os resultados devam ser encarados com cautela devido a possíveis limitações dos estudos originais.

Mama

Dados da Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição (European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition) ajudaram a determinar se o status do receptor hormonal do tumor e outros fatores modificadores potenciais desempenham alguma função chave na associação entre o consumo de álcool e o risco de câncer de mama. Verificou-se que o consumo de álcool foi significativamente associado com o risco de câncer de mama. Para cada aumento de 10 g/dia no consumo de álcool, a taxa de risco aumentou 4,2%. Notou-se ainda que o risco de câncer de mama foi maior entre as mulheres que começaram a beber frequentemente antes de sua primeira gravidez. Os autores concluíram que há relação entre o consumo de álcool e os hormônios receptores (positivo e negativo), o que sugere que o tempo de exposição ao álcool pode afetar o risco de desenvolver a doença.

VEJA TAMBÉM

Covid: Hospital Tacchini confirma “variantes de preocupação” em pacientes de cidades da Serra Gaúcha

No início de março, o Hospital Tacchini, de Bento Gonçalves (RS), identificou uma série de pacientes com diagnóstico positivo de Covid-19 cujo ciclo de agravamento da doença ocorreu de forma mais precoce. A partir do aumento de casos em outros estados, a instituição tomou a iniciativa de enviar para análise amostras de 11 diferentes casos, a

Manual para Identificação e Avaliação de Tecnologias Novas e Emergentes em Saúde é lançado

Uma parceria entre a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e membros da Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologia em Saúde (Rebrats) deu origem a tradução do Manual Metodológico para Identificação e Avaliação de Tecnologias Novas e Emergentes em Saúde. O documento original foi elaborado pela EuroScan International Network, uma
"benefícios superam os riscos"

Após casos suspeitos de trombose, Anvisa solicita alteração de bula da vacina de Oxford

A Anvisa solicitou na noite desta quarta-feira (7) a inclusão de possíveis ocorrências tromboembólicas com trombocitopenia no item “Advertência e Precauções” da bula da vacina de Oxford/Astrazeneca/Fiocruz. “Tratam-se de casos muito raros de formação de coágulos sanguíneos associados à trombocitopenia – diminuição do número de plaquetas (fragmentos de células  que ajudam a coagular o sangue) – e, em alguns casos, sangramentos que podem estar associados ao uso da vacina. Os casos foram