Oncoclínicas inicia processo de sucessão no comando em meio a reestruturação estratégica
Embora o nome de Irlau Machado (ex-CEO da NotreDame Intermédica) tenha sido citado informalmente como um dos favoritos a assumir o comando, a empresa ainda não confirmou oficialmente a escolha.
A Oncoclínicas&Co., um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, deu os primeiros passos formais do processo de sucessão em sua liderança executiva, após anos de desafios financeiros e pressão por aprimoramentos na governança corporativa. A companhia anunciou recentemente a contratação da consultoria global Spencer Stuart para conduzir a seleção do próximo CEO.
O fundador Bruno Ferrari, que ocupa o cargo de diretor-presidente, poderá migrar para a função de chairman (presidente do conselho), assumindo um papel mais estratégico enquanto a gestão do dia a dia ficaria sob responsabilidade de um novo executivo.
Embora o nome Irlau Machado (ex-CEO da NotreDame Intermédica) tenha sido citado informalmente como um dos favoritos a assumir o comando, a empresa não confirma oficialmente a escolha. Os sites Brazil Journal e Forbes, porém, informaram que a Oncoclínicas estaria em conversas avançadas para nomear Machado.
Contexto de governança e a pressão de acionistas
O processo de sucessão ocorre paralelamente a movimentos de investidores que reforçam uma revisão da governança da Oncoclínicas. No final de 2025, a gestora Latache IV e fundos associados, que juntos representam cerca de 14,6% do capital, solicitaram a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com pauta para reformular o conselho de administração.
Em 07 de janeiro, os acionistas elegeram o novo Conselho de Administração da Oncoclínicas. A AGE, convocada pela Latache após a conclusão do aumento de capital, definiu sete membros, sendo cinco indicados pela Latache. Permaneceram no conselho Bruno Ferrari, Marcelo Gasparini e Marcel Vieira, com a entrada de quatro novos membros. A renovação do Conselho se insere no processo de reorganização societária e de governança após o aumento de capital e a entrada de novos investidores. Conforme informado pelo site Neofeed, o novo conselho de administração é composto pelos seguintes nomes:
Marcelo Gasparino — presidente do conselho.
Bruno Lemos Ferrari — vice-presidente (fundador e atual CEO).
Marcel Vieira Cecchi — membro do conselho.
Marcelo Curti — membro do conselho.
Eduardo Couto — membro do conselho.
Raul Rosenthal — membro do conselho indicado pelo Goldman Sachs.
Marcos Grodetzky — membro do conselho indicado pelo Goldman Sachs.
Cenário estratégico e financeiro
A movimentação por sucessão e mudança de governança ocorre em um momento em que a Oncoclínicas enfrenta desafios financeiros e precisa consolidar sua estratégia de longo prazo. Ao longo de 2025, a companhia aprovou e homologou um aumento de capital que alcançou cerca de R$ 1,4 bilhão, parte de uma série de medidas para reduzir o endividamento e fortalecer sua posição de caixa, após prejuízos significativos nos resultados trimestrais.
A empresa também tem revisado sua estrutura de custos, vendido ativos não essenciais e promovido ajustes operacionais em resposta à pressão por maior eficiência e disciplina financeira.
Relevância da mudança para o mercado
Analistas e investidores acompanham de perto a transição na liderança, pois a definição do novo CEO pode ter impacto direto na percepção de governança e na estratégia de recuperação da Oncoclínicas, especialmente em um setor de saúde que exige altos investimentos e enfrenta margens apertadas.
Além disso, a separação entre as funções de gestão executiva e conselho é vista como um passo importante para a empresa amadurecer sua governança corporativa, alinhando melhores práticas com as expectativas do mercado e dos acionistas institucionais.
Por outro lado, o site O Especialista do Banco Safra pontua que apesar de sinais pontuais de estabilização operacional, o ambiente financeiro segue mais restritivo, com margens pressionadas por eventos relacionados à Unimed Ferj e à liquidação do Banco Master, instituição na qual a companhia mantinha parcela relevante de suas reservas financeiras.
Esses fatores, conforme o site de análises de mercado do Safra, continuam limitando a flexibilidade financeira e reforçam a necessidade de disciplina na gestão de caixa e execução do plano de turnaround.
Linha do Tempo
2024 – Aumento de Capital
Maio de 2024 — Aumento de Capital de R$ 1,5 bilhão
A Oncoclínicas aprovou um aumento de capital de cerca de R$ 1,5 bilhão, em operação considerada essencial para fortalecer a estrutura financeira da empresa e reduzir alavancagem.
2025 – Reestruturação, Resultados e Pressão Acionária
Início de 2025 — Oncoclínicas entra no índice IBrX100
Em janeiro de 2025, as ações ONCO3 estrearam no Índice Brasil 100 (IBrX100), destacando-se entre os papéis mais negociados da bolsa — um sinal de reconhecimento da sua liquidez e relevância no setor de saúde.
Março de 2025 — Mudanças na Estrutura Acionária
A gestora Centaurus Capital tornou-se acionista majoritária com cerca de 31,83% das ações, após adquirir participação junto ao Goldman Sachs, realinhando a composição de sócios da Oncoclínicas.
Maio de 2025 — Resultados Financeiros Desafiadores
A companhia divulgou uma queda de 44% no EBITDA do 1T25, indicando contração nas margens e reforçando a necessidade de foco em geração de caixa e eficiência.
Maio de 2025 — Solicitação de AGE por Latache para suspensão de direitos
Acionistas vinculados à gestora Latache solicitaram uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre a suspensão de direitos de outro fundo acionista (Josephina III), levantando debate sobre governança e compliance de acionistas relevantes.
Setembro de 2025 — Proposta de Reestruturação pela Starboard
O investidor Starboard apresentou uma proposta de reestruturação financeira, incluindo um swap de dívida por ações e aporte de capital condicional, sinalizando interesse em ajustes profundos na estrutura da empresa.
Outubro de 2025 — Aumento de Capital de até R$ 2 bilhões
Em outra assembleia, a Oncoclínicas aprovou um novo aumento de capital potencial de até R$ 2 bilhões para fortalecer o caixa, reduzir endividamento e reestruturar suas operações não essenciais.
Novembro de 2025 — Diluição Acionária e Reconfiguração do Capital
O aumento de capital impactou a participação de fundos como Josephina III e Centaurus TRS, com diluição significativa após a operação — um reflexo da reorganização financeira com vistas a estabilizar a empresa.
O Josephina III manteve suas 207.498.778 ações, mas, ao não exercer o direito de preferência, viu sua fatia cair de 31,38% para 18,31%. Já a exposição econômica da Centaurus TRS por meio de um derivativo (total return swap) recuou de 15,79% para 9,08%
Estrutura acionária após o aumento de capital: Josephina III (18,31%), Latache (14,62%), BRB (8,68%), Lumen Fundo de Investimento (6,35%), Mak Capital (6,30%), Geribá Participações (5,90%), Bruno Ferrari (5,01%), Tesouraria (1,30%) e free-float (33,52%).
Novembro de 2025 — Pedido de Renovação Total do Conselho
Fundos ligados à Latache, com cerca de 14,6% do capital, pediram formalmente a remoção de todo o Conselho de Administração e a eleição de um novo colegiado, em um movimento de governança agressivo.
2026 – Sucessão, AGO e Governança em Foco
9 de Janeiro de 2026 — Processo Formal de Sucessão Iniciado
A Oncoclínicas anunciou a contratação da consultoria Spencer Stuart para selecionar possíveis candidatos ao cargo de CEO — marco oficial do processo de sucessão. A empresa, no entanto, ressaltou que ainda não há confirmação de substituto para o CEO atual e nenhuma aprovação do conselho sobre mudanças. Rumores no mercado apontam que Irlau Machado (ex-CEO da NotreDame Intermédica) teria sido considerado para a posição, mas sem confirmação oficial da companhia até o momento.
15 de Janeiro de 2026 — Preparação para AGO e Governança
A empresa marcou sua Assembleia Geral Ordinária (AGO) para 30 de abril de 2026, reforçando previsibilidade no calendário societário e alinhando-o com a governança e a sucessão executiva em curso.
A Oncoclínicas&Co
A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 47 cidades brasileiras, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 670 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica.
É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, e mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha).
Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Com o objetivo de ampliar sua missão global de vencer o câncer, a Oncoclínicas chegou à Arábia Saudita por meio de uma joint venture com o Grupo Al Faisaliah, levando sua expertise oncológica para um novo continente.
Com informações grupo Oncoclíncas&Co, Guia do Investidor, Visno Invest, Neofeed, Finance News, ADVFN Brasil, InfoMoney, O Especialista Safra, Brazil Journal e Forbes.