Mulheres vítimas de violência terão teleatendimento psicológico e reconstrução dentária no SUS
Ministério da Saúde anuncia novas ações de apoio, incluindo atendimento remoto em saúde mental e iniciativas integradas ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio.
Mulheres vítimas de violência passarão a contar com teleatendimento psicológico e reconstrução dentária pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As medidas foram anunciadas pelo Ministério da Saúde como parte de um conjunto de ações para ampliar o cuidado e fortalecer a rede de apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.
A iniciativa busca garantir atendimento especializado, acolhimento e reabilitação física e emocional, ampliando o acesso a serviços de saúde essenciais em todo o país.
Teleatendimento em saúde mental para ampliar o acesso ao cuidado
Uma das principais novidades é a implantação de teleatendimento psicológico para mulheres vítimas de violência, permitindo que o suporte em saúde mental seja realizado de forma remota.
O serviço será iniciado inicialmente nas cidades de Recife e Rio de Janeiro, com previsão de expansão para municípios com mais de 150 mil habitantes nos próximos meses. A expectativa do Ministério da Saúde é que o atendimento alcance todo o território nacional ainda em 2026.
A proposta é facilitar o acesso ao acompanhamento psicológico, principalmente para mulheres que enfrentam dificuldades para procurar ajuda presencial.
“Se os homens não se engajarem no enfrentamento à violência contra as mulheres, não vamos vencer essa batalha”, ressaltou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Profissionais especializados poderão oferecer orientação, acolhimento e acompanhamento terapêutico, fortalecendo a rede pública de proteção às vítimas de violência doméstica e de gênero.
SUS oferecerá reconstrução dentária para mulheres agredidas
Outra medida anunciada prevê a ampliação do acesso à reconstrução dentária pelo SUS para mulheres vítimas de agressão.
Muitos casos de violência doméstica resultam em traumas faciais e perda de dentes, o que pode gerar impactos físicos, psicológicos e sociais. O objetivo da iniciativa é garantir reabilitação funcional e estética, contribuindo também para a recuperação da autoestima das vítimas.
O atendimento será realizado por meio da rede pública de saúde bucal do SUS, integrada às políticas de cuidado às mulheres.
Mutirão nacional amplia exames e cirurgias para mulheres
Durante o Mês da Mulher, o Ministério da Saúde também promoverá um grande mutirão nacional de saúde da mulher, com foco na ampliação do acesso a exames e procedimentos cirúrgicos.
A mobilização está prevista para ocorrer nos dias 21 e 22 de março, envolvendo unidades de saúde em todo o país e priorizando atendimentos essenciais para a saúde feminina.
Ações integram o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio
As medidas fazem parte de um esforço mais amplo do governo federal para fortalecer as políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero, em articulação com o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio.
A iniciativa reúne governo federal, estados, municípios e representantes do sistema de justiça, com o objetivo de ampliar a prevenção da violência, proteger vítimas e reforçar a responsabilização de agressores.
Entre as prioridades do pacto estão:
fortalecimento das redes de atendimento às mulheres;
ampliação de medidas protetivas e ações de prevenção;
integração entre saúde, segurança pública e assistência social;
melhoria na produção de dados sobre feminicídio no país.
O pacto busca mobilizar diferentes setores da sociedade para enfrentar um problema estrutural que ainda afeta milhares de mulheres no Brasil.
Violência contra mulheres ainda é desafio no país
Apesar dos avanços nas políticas públicas, a violência de gênero continua sendo um problema grave no Brasil. Dados recentes indicam que o país registra milhares de casos de feminicídio e agressões contra mulheres todos os anos, evidenciando a necessidade de ampliar a rede de proteção e assistência.
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado cerca de 1,4 mil feminicídios anuais, o que equivale a aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia. Além disso, foram contabilizados mais de 70 mil casos de estupro em 2024, evidenciando a gravidade da violência de gênero no país e a necessidade de fortalecer políticas públicas de prevenção e atendimento às vítimas. A fonte principal destes dados é o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM) e dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgados por veículos oficiais.
Nesse contexto, iniciativas como teleatendimento psicológico, reconstrução dentária pelo SUS e o fortalecimento das políticas nacionais de enfrentamento à violência buscam garantir acolhimento, cuidado e dignidade para mulheres em situação de vulnerabilidade.