Tecnologia e Inovação | 15 de junho de 2015

Moinhos de Vento realiza procedimento pioneiro para tratar enfisema em grau avançado

Técnica inédita no Brasil recupera a qualidade de vida do paciente
Fernandez e Dr. Hugo Goulart de Oliveira

O Núcleo de Tratamento do Enfisema do Hospital Moinhos de Vento realizou um pioneiro tratamento para recuperar a qualidade de um paciente com problemas pulmonares. Julio Cesar Nadel Fernandez, de 78 anos, diagnosticado com pequenos granulomas (nódulos) junto às válvulas, foi submetido, em junho, a procedimento endoscópico para remoção dos nódulos.

Há 30 anos Fernandez, morador da Ciudad Del Este, no Paraguai, convivia com a doença, sofrendo por problemas causados pelo fumo. Com o tempo foi perdendo a capacidade de respirar normalmente e nos últimos anos tinha que parar de caminhar após poucos metros. Após ser submetido à minuciosa avaliação na instituição de Porto Alegre, foi encaminhado à cirurgia.

A técnica realizada pelo coordenador do Núcleo, Dr. Hugo Goulart de Oliveira, durou 30 minutos. O paciente pode voltar a ter fala continua e sem as repetidas pausas para tomar ar, que sempre lhe acompanhavam em situações rotineiras, como subir escadas ou fazer pequenas caminhadas perto de casa. O tratamento, relata o especialista, permite pelo menos 15% de recuperação da capacidade respiratória dos pacientes, que são adequadamente selecionados.

Dr. Oliveira explica que o enfisema é uma doença progressiva e se caracteriza pela dilatação excessiva dos alvéolos. Gradualmente, o paciente perde a capacidade de respirar normalmente. O tabagismo é o principal fator desencadeante da doença. Com o auxílio de um broncoscópio, o médico coloca as válvulas – em média três, cada uma com cerca de 7mm – no pulmão afetado, e a alta é dada em torno de dois dias após o procedimento O procedimento dura em média 30 minutos e o paciente pode ter alta em dois dias.

“A válvula permite isolar uma área do pulmão para evitar que ela aprisione ar e comprima áreas menos afetadas”, explica o especialista. As válvulas são levadas aos brônquios segmentares ou subsegmentares do pulmão, onde se abrem. Assim, o paciente inspira, a válvula se fecha, redirecionando o ar para outras áreas do pulmão. Ao expirar, o dispositivo se abre, permitindo que o ar saia da parte doente e reduzindo o volume pulmonar.

Mais de 100 pacientes, de várias partes do Brasil e do exterior, já passaram pelo procedimento. A principal vantagem da técnica é dar tratamento para pacientes até então sem opções.

O procedimento não reverte a doença, mas melhora a qualidade de vida dos pacientes com enfisema em grau avançado, permitindo a prática de atividades por vezes simples, como tomar banho ou andar na rua, sem maiores preocupações. Vale ressaltar que o procedimento não é indicado para todos os pacientes, mas sim para aqueles que sofrem de enfisema heterogêneo (que não acomete todo o pulmão igualmente).

 

 

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