Mundo, Tecnologia e Inovação | 29 de maio de 2015

Microchip captura grupos de células tumorais circulantes

Teste identifica células associadas a metástases
Microchip captura grupos de células tumorais circulantes

Uma amostra simples de sangue, retirada através de um dispositivo do tamanho de um cartão de crédito, pode ajudar a detectar com mais antecedência, cânceres agressivos. O estudo, feito em parceria entre a Mayo Clinic e a National Press Foundation, conseguiu detectar os primeiros sinais de tumores metastáticos, o que pode ajudar a reduzir seu desenvolvimento.

O professor de engenharia biomédica no Massachusetts General Hospital, da Harvard Medical School, Mehmet Toner, é um dos autores do estudo. Ele estabeleceu uma meta de criar uma tecnologia para capturar e identificar células tumorais no nível molecular usando amostras de sangue.

O primeiro dispositivo desenvolvido, chamado CTC-iChip, separou células normais de células tumorais circulantes (CTC) no sangue, o que “aprisionou” as células malignas. A ferramenta tem sido analisada em quatro instituições, é licenciada pela Johnson & Johnson para testes clínicos. Segundo reportagem da Nature Methods, o próximo passo é buscar aprovação junto à FDA, agência americana reguladora de medicamentos e equipamentos médicos.

O estudo ressalta que o CTC-iChip só detecta células individuais. Os resultados relacionados a aglomerados de células tumorais ainda são pouco eficientes. Para preencher a lacuna, a equipe liderada por Dr. Toner trabalha em um “clusters-chip”, que capta aglomerados de duas ou mais células tumorais.

Para o portal norte-americano MedPage Today, o pesquisador destacou que “quando observamos os conjuntos [de células tumorais] e os resultados dos pacientes, o resultado era sempre pior para pacientes com muita metástase, o que nos levou a projetar um chip específico para clusters”.

As CTCs são raras, encontradas em cerca de uma em cada 10 bilhões de células normais, e encontrá-las aglomeradas é ainda mais raro. Em um grupo de 60 pacientes com metástase, de 30% a 40% mostraram ter aglomerados de CTC. Isso indica que eles podem desempenhar um papel maior no diagnóstico e tais pacientes requerem um tratamento mais agressivo.

No estudo, o método é comparado com uma máquina de pinball. Conforme o sangue entra no dispositivo, as células normais e tumorais são separadas através de pequenos canais, divididos por fileiras de pilares triangulares. Segundo Mehmet Toner, funciona como uma porta dupla. “Se você está segurando a mão de alguém e você está correndo em direção uma porta de duas entradas com um feixe no meio, você fica preso”, comentou.

São oito fileiras de cerca de quatro mil “armadilhas” individuais (32 mil ao todo) para capturar esses aglomerados de CTCs. A pesquisa revelou que mais da metade dos clusters são capturados na primeira fileira. Cada canal flui lentamente, para que os clusters não se quebrem.

Em testes feitos com aglomerados de células de câncer de mama formados artificialmente, os pesquisadores descobriram que 99% dos clusters (diferenciados por marcadores fluorescentes) foram capturados pelo dispositivo. Cerca de 70% com três células e 41% com duas células também foram pegos.

A presença ou ausência de clusters pode ajudar no desenvolvimento do tumor, mas pode também ajudar no diagnóstico e no tratamento. As células capturadas podem ser cultivadas e sequenciadas no laboratório, permitindo novas pesquisas para várias terapias medicamentosas.

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