Mundo, Tecnologia e Inovação | 7 de junho de 2017

Micro Robôs 3D demonstram um dos prováveis caminhos do futuro da medicina

Mais finos que um fio de cabelo, o produto da nanotecnologia 'caminha' pelo corpo humano
Micro Robôs 3D demonstram um dos prováveis caminhos do futuro da medicina

Chega a ser difícil de imaginar, mas um micro robô produzido em uma impressora 3D, em um formato de espiral mais fino que um fio de cabelo, é capaz de selecionar um único espermatozoide e introduzi-lo perfeitamente em um óvulo. O que até agora só funciona em laboratório, pode, um dia, ajudar mulheres a engravidar, de acordo com o físico, Oliver Schmidt, do Instituto Leibniz de Pesquisa de Estado Sólido e Materiais, da cidade de Dresden, na Alemanha.

Entretanto o caminho até lá ainda é longo, reconhece o pesquisador. “Em alguns homens os espermatozoides não são mais móveis, mas continuam saudáveis. Almejamos conseguir movimentá-los artificialmente, para que cheguem a seu destino final”, conta.

O maior obstáculo para o uso de micro robôs no corpo humano são as técnicas de exame de imagem. “No laboratório, podemos fazer tudo com microscópios de alta resolução. Mas assim que entramos mais fundo nos tecidos, essa definição se perde”, explica. Mesmo o tomógrafo computadorizado mais avançado não é suficiente para garantir o direcionamento seguro de um robô tão minúsculo até seu destino. Além disso, é necessário acompanhá-lo em tempo real.

Processo de produção

O micro robô em forma de espiral foi produzido por uma impressora 3D da empresa alemã Nanoscribe, que é capaz de imprimi-los com um diâmetro de 200 nanômetros.  Em comparação, um fio de cabelo humano tem diâmetro de 50 mil nanômetros.

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A impressão é feita com luz laser especial sobre uma resina fotossensível. “Onde o laser é focado, o material endurece”, explica o físico Andreas Frölich. “Assim, é possível desenhar em três dimensões, como se fosse com a ponta de uma caneta. Movendo esse ponto de laser através do material líquido, formando pontos duros nos lugares por onde passa”, relata.

Contra o Câncer

Mesmo antes que os micro robôs sejam capazes de fertilizar um óvulo, outra aplicação talvez já seja viável. Schmidt e sua equipe querem aproveitar a capacidade das células reprodutivas masculinas de penetrarem paredes celulares. “É possível encher espermatozoides com medicamentos quimioterápicos e fazer eles transportarem a substância, por exemplo, para células cancerígenas”, sugere o físico.

O problema com as técnicas de exame de imagem talvez possa ser resolvido mais facilmente neste caso. Os pesquisadores não estariam controlando um único micro robô, mas um grande exército deles, o que é mais fácil de visualizar, mesmo com as opções existentes. Dessa forma, os médicos enviariam as drogas precisamente para onde são necessárias e uma quimioterapia seria bem menos danosa para a saúde do paciente.

* com informações DW. Edição SS. 

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