México já tem vacina contra a dengue
Brasil é um dos 20 países que ainda não aprovaram o uso da vacina
A Federal Commission for the Protection Against Sanitary Risks (COFEPRIS) aprovou a Dengvaxia, vacina tetravalente contra a dengue, para a prevenção da doença causada por todos os quatro sorotipos do vírus da dengue em pré-adolescentes, adolescentes e adultos, de 9 a 45 anos de idade, que vivem em áreas endêmicas. Esta vacina começou a ser desenvolvida há 20 anos.
A farmacêutica Sanofi Pasteur pediu autorizações legais em 20 países da Ásia e América Latina – entre eles o Brasil – para o uso da vacina e fará o mesmo na União Europeia, em 2016, e nos Estados Unidos, em 2017.
Os estudos para a liberação da vacina no Brasil estavam parados há 8 meses. A Anvisa diz que o problema ocorreu na fase 2 (anterior à fase de liberação e que testa a eficácias dos medicamentos), e que o motivo seria a falta de informações na fase 2. A última fase de testes da vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantã, deve ser liberada ainda nesta semana segundo a Anvisa. Os dados finais sobre a estabilidade da vacina serão avaliados pelo órgão e, se estiverem de acordo com as exigências técnicas, o começo dos estudos estará autorizado. Com o sinal positivo, os testes devem começar até o fim de 2015, com quase 17 mil voluntários.
A aprovação da Dengvaxia pelas autoridades mexicanas é baseada nos resultados de um extenso programa de desenvolvimento clínico envolvendo mais de 40 mil pessoas de diferentes idades, contextos geográficos e epidemiológicos, origens étnicas e socioeconômicas que vivem em 15 países. Regiões endêmicas de dengue no México participaram em todas as três fases do programa de desenvolvimento clínico para a vacina.
Os testes clínicos demonstram que a vacina é eficaz em 66% dos indivíduos a partir dos nove anos de idade. No caso da dengue hemorrágica, esta porcentagem aumenta para 93%.
A dengue causa cerca de 400 milhões de novas infecções por ano, incluindo os casos de países desenvolvidos. A doença pode provocar febre, dor nos ossos e nas articulações, hemorragias, podendo levar à morte. Em 50 anos, a dengue se tornou endêmica em mais de cem países de regiões tropicais e subtropicais.
O mosquito transmissor da dengue alimenta-se principalmente ao
amanhecer e ao entardecer e pode se reproduzir em quantidades muito pequenas de água parada.
Brasil
O Brasil vive alerta para o aumento exponencial dos casos de dengue. Foram identificados 1,5 milhão de casos de dengue no país de janeiro até 14 de novembro, um aumento de 176% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 555,4 mil casos.
Além disto, o mosquito da dengue, o Aedes aegypti, transmite também o chikungunya e o zika vírus. Foram identificados 7.146 casos suspeitos de chikungunya, sendo 6.726 confirmados. O levantamento identificou a presença do mosquito Aedes albopictus, que pode também transmitir a chikungunya, em 262 municípios.
Uma estimativa do Ministério da Saúde revelou que foram contabilizados entre 500 mil e 1,4 milhão de casos de zika vírus no país somente este ano. De acordo com o boletim mais recente do Ministério da Saúde, há 1761 casos de microcefalia associados ao Zika Vírus, sendo investigados no Brasil. A maioria no estado de Pernambuco, com 804.
O Rio Grande do Sul tem dois casos suspeitos de Zika Vírus que estão sendo investigados.