Estatísticas e Análises | 12 de fevereiro de 2021

Medicamento utilizado para artrite em conjunto com corticoide ajuda a reduzir a mortalidade de pacientes com Covid

Uso combinado pode reduzir pela metade as mortes nos casos mais graves
Medicamento utilizado para artrite em conjunto com corticoide ajuda a reduzir a mortalidade de pacientes com Covid

A combinação de dois medicamentos, o anticorpo monoclonal tocilizumabe, usado para tratar a artrite reumatoide, e o corticoide dexametasona, pode reduzir pela metade as mortes nos casos mais graves de Covid-19, segundo um estudo divulgado preliminarmente nesta quinta-feira (11), no Reino Unido. O estudo integra o projeto de larga escala denominado Recovery, que conta com a colaboração do sistema público de saúde (NHS) do Reino Unido. Os resultados do estudo conduzido em parceria com a Universidade de Oxford, mostraram a diminuição da mortalidade em pacientes hospitalizados com hipóxia (falta de ar/oxigênio), inflamação significativa e que necessitaram de ventilação mecânica invasiva.

Avaliações e estudos anteriores já tinham identificado que a dexametasona, uma substância anti-inflamatória de baixo custo, contribui para salvar vidas entre os doentes mais graves afetados pela coronavírus.

Agora, a investigação descobriu que o tocilizumabe, administrado por via intravenosa, pode reduzir por si só a mortalidade em 4%, sendo que o seu efeito é amplificado se usado em combinação com o dexametasona. Em relação aos pacientes internados que necessitaram ventilação não invasiva (menos graves), as mortes baixaram em cerca de um terço (30%) após o emprego dos dois fármacos, demonstrando a importância do emprego em conjunto dos mesmos, com vistas a evitar a piora do quadro. Ao serem utilizados ambos os medicamentos, em pacientes graves, a redução foi ainda melhor, 50%.

Ao todo 2.022 pacientes receberam a medicação para artrite, e outros 2.094 foram tratados com medicamentos habituais (totalizando uma amostra de mais de 4 mil pessoas). Os resultados indicam que 596 dos indivíduos que receberam tocilizumabe vieram a óbito em 28 dias (29%), em comparação com 694 daqueles que não foram tratados com esse medicamento (33%).

Os responsáveis pelo ensaio também identificaram que a intervenção aumenta a probabilidade de os pacientes terem alta no espaço de 28 dias (de 47% para 54%).

“Testes anteriores com tocilizumabe mostraram resultados heterogêneos e não ficou claro se os pacientes de fato se beneficiam deste tratamento. Agora, sabemos que as vantagens do uso do tocilizumabe se estendem a todos os pacientes com Covid-19, com baixos níveis de oxigênio e inflamação grave”, disse Peter Horby, professor da Universidade de Oxford que participou das investigações.

Segundo o especialista, “o duplo impacto da dexametasona e do tocilizumab é impressionante e muito bem-vindo”.

Martin Landray, que também assina o estudo, destacou que esta combinação de medicamentos “melhora a sobrevivência, encurta o tempo de internação e reduz a necessidade de ventilação mecânica”.

O paciente Wendy Coleman, de 62 anos, recebeu tocilizumabe por meio do estudo Recovery no ano passado, quando foi internado no Chesterfield Royal Hospital com COVID-19 grave. “Eu estava lutando para respirar, muito mal e prestes a ser internado em uma unidade de terapia intensiva quando me perguntaram se eu queria participar do estudo. Depois que recebi tocilizumabe, minha condição se estabilizou e não piorou. Até então, era muito assustador porque eu não sabia se ia conseguir [sobreviver] ou não…. Gostaria de agradecer a todos aqueles que realizaram o estudo Recovery, além de toda a equipe do Royal Hospital, em Chesterfield. Você nunca pensa em testes clínicos, até que precise desses tratamentos. E então perceba o que acontece nos bastidores para descobrir se eles realmente funcionam”, disse Coleman em comunicado divulgado pelo projeto Recovery.

Os resultados ainda serão revisados por pares.

 



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