Mundo, Tecnologia e Inovação | 22 de janeiro de 2016

Entenda como o governo dos EUA pretende encontrar a cura do câncer

Iniciativa quer unir investigações e dados para acelerar o desenvolvimento de tratamentos
Entenda como o governo dos EUA buscará encontrar a cura do câncer

Em comunicado no dia 14 de janeiro, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que o país vai fazer de tudo para desenvolver a cura do câncer.

Joe Biden, atual vice-presidente – que perdeu um filho em 2015, vítima de câncer no cérebro aos 46 anos –, ficará encarregado da iniciativa. Ele pretende envolver tanto o setor público como o privado na busca por tecnologias avançadas do Vale do Silício que contribuam para combater a doença. Na visão dele, atualmente a ciência, os dados e os resultados de investigação estão isolados, impedindo progressos mais rápidos e maior alcance para os pacientes.

Obama comparou o desafio às pesquisas para ultrapassar a União Soviética na corrida espacial que levou o homem à lua. Sem estabelecer prazo, disse: “vamos ser o país que vai curar o câncer de uma vez por todas”.

O Congresso dos EUA aprovou o maior orçamento (5,3 bilhões de dólares) em uma década para o Instituto Nacional de Saúde (National Institutes of Health, NIH). Para Otis Brawley, diretor médico da Sociedade Americana do Câncer, o maior desafio é ampliar a prevenção. O sucesso é de 80% nos casos de câncer de testículo e 50% nos de leucemia. Já os tumores no pulmão, pâncreas e cérebro são mais difíceis de combater. O professor diz que eles estão ligados à mutação de um gene chamado RAS.

Existem muitos trabalhos sendo realizados em São Francisco. Várias startups e organizações estudam o problema de maneira diferente, como o Google X Lab, que cria plataformas que têm o objetivo de fazer grandes avanços tecnológicos; e o Atomwise, que utiliza redes neurais em uma plataforma de aprendizado usando supercomputadores para prever, com antecedência, quais potenciais medicamentos irão funcionar, e indicar quais não vão. As ferramentas da Atomwise prometem expor a diferença entre drogas candidatas ao sucesso, além de descobrir novos usos para remédios antigos.

Incubadoras como Y Combinator, IndieBio e Breakout Labs reúnem uma série de projetos promissores no universo de pesquisa do câncer. O Y Combinator, por exemplo, começou a atuar no espaço de biotecnologia mais de um ano atrás e, desde então, lançou startups como Ixchel e Notable Labs, que estudam os efeitos de certas drogas sobre células cancerígenas.

Para o governo, essa gama de investigações e informações precisam ser combinadas para oferecer uma compreensão melhor sobre como lidar com a doença.

A startup Flatiron Health, com base no Google, contém uma plataforma baseada em nuvem que agrega dados de centros de tratamento de câncer em todo o mundo e oferece informações de ensaios clínicos para um banco de dados global usado para armazenar e analisar informações.

Também em janeiro, Patrick Soon-Shiong, fundador e CEO da empresa de biotecnologia NantWorks, anunciou em uma conferência (JP Morgan Health Conference) o lançamento do Cancer Moonshot 2020, um ambicioso programa para desenvolver novas imunoterapias anticancerígenas aprovadas até ao final da década, através de um amplo trabalho de coalizão entre pesquisadores, empresas de tecnologia e indústria farmacêutica.

Em setembro de 2012, o MD Anderson Cancer Center, na Universidade do Texas, já havia apresentado o Programa Moonshot, um plano de ação ambicioso e abrangente para dar um grande salto no desenvolvimento e tratamentos para o câncer. O programa foi inspirado pelos norte-americanos que venceram o desafio de chegar à Lua. Veja o vídeo promocional, em inglês:

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