Por Marcos Ferreira: investidor anjo e especialista em longevidade.
A preparação financeira deve ser, sim, um dos pilares de sustentação para quem busca uma transição segura para o pós-carreira. Considerar gastos futuros, prever os impactos inflacionários e estruturar um fluxo de caixa que suporte o estilo de vida desejado continua sendo a base de qualquer plano de acumulação e previdência. No entanto, após décadas analisando riscos, percebo que o caminho para uma longevidade plena não pode ser limitado a uma única cifra bancária. O sucesso financeiro, isolado, é insuficiente para garantir relevância e bem-estar após os 50 ou 60 anos.
Muitos executivos e profissionais chegam ao topo da pirâmide corporativa com um patrimônio sólido e meticulosamente planejado, mas quando retiram o crachá, enfrentam uma lacuna existencial. Existem dimensões que fogem ao controle das planilhas de investimentos e que possuem um impacto direto na saúde e na percepção de valor próprio. Para uma longevidade dita completa, precisamos falar sobre a gestão de outros ativos fundamentais.
Saúde e qualidade de vida
Ter recursos para acessar os melhores planos de saúde é um privilégio, mas o verdadeiro ativo de longevidade é a funcionalidade do corpo. Alimentação e exercícios físicos durante a vida e na maturidade são uma questão de autonomia. Conforme as diretrizes da OMS(Organização Mundial de Saúde), recomenda-se de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica moderada ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa por semana para adultos e idosos.
Sem saúde funcional, o patrimônio financeiro torna-se apenas um fundo de reserva para remediar perdas, em vez de financiar experiências e novas vivências.
Socialização e networking
Cultivar amizades e conexões fora do ambiente de trabalho deve ser um exercício constante ao longo da vida. Quando as companhias sociais são baseadas somente no ambiente corporativo, muitos indivíduos perdem sua principal rede de conexões ao deixar a empresa. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte aponta que relações sociais sólidas na longevidade reduzem os riscos de hipertensão e isolamento, além de estimular a memória. Na longevidade, o networking deixa de ser prioritário para fechar negócios, mas colabora para sustentar a identidade e a vitalidade cognitiva.
Propósito e hobbies:
Ocupar a mente com atividades prazerosas, espiritualidade e novos projetos. Em muitos casos, inclusive, hobbies e propósitos podem até se transformar em fontes de renda, além da realização pessoal. No meu caso, por exemplo, mesmo no pós-carreira sigo envolvido com temas ligados à economia prateada e longevidade. Além do ambiente de negócios, participo de palestras, podcasts e projetos sociais conectados a esse universo.
Também não desperdiço as oportunidades de velejar com mais frequência, meu hobbie preferido, onde junto a família e amigos.
Esse tipo de envolvimento é essencial para preservar o senso de utilidade e pertencimento, além de manter a pessoa contemporânea, ou seja, ativa e conectada com o mundo atual. Isso ajuda a evitar aquela sensação de obsolescência, que pode ser perigosa quando alimentada.
O dinheiro pode proporcionar a liberdade do tempo, mas é o propósito que dá significado a esse tempo. Com o equilíbrio certo, o planejamento para o pós-carreira se torna uma nova fase de vitalidade e realização.
Sobre Marcos Eduardo Ferreira – Marcos Eduardo Ferreira é especialista em longevidade e mercado securitário, empreendedor e investidor anjo com mais de 30 anos de experiência na MAPFRE, onde atuou como CEO no Brasil e América do Sul. Hoje assessora empreendedores e executivos em transição para o pós-carreira, promovendo a economia prateada e é advisor da 180 Seguros. Cofundador do canal Homens de Prata e da Silver Hub, aceleradora voltada a produtos e serviços do público 50+. Economista e contador com formação executiva pela IESE e FGV.