Mundo | 15 de janeiro de 2020

China registra primeira morte por novo vírus

Feriado nacional que ocorre dia 25 de janeiro será crítico para a disseminação do vírus da família coronavírus 
China registra primeira morte por novo vírus

A imprensa chinesa divulgou a primeira morte conhecida por um novo vírus, que infectou dezenas de pessoas na China e provocou preocupações em toda a Ásia. A agência de notícias Xinhua citou a comissão de saúde na cidade de Wuhan, no centro da China, onde a doença apareceu pela primeira vez, ao relatar a morte. A comissão de saúde disse que o paciente, um homem de 61 anos, morreu no dia 2 de janeiro.

Quarenta e uma pessoas foram diagnosticadas com o novo vírus, um coronavírus, e sete pacientes ainda estão em estado grave, de acordo com a comissão de saúde, informado no relatório da Xinhua. Ainda de acordo com o relatório, dois pacientes receberam alta.

Os casos iniciais foram relacionados a trabalhadores de um mercado que vendia peixes vivos, pássaros e outros animais, conhecido como Huanan Seafood Wholesale Market. Mais de 700 pessoas que tiveram contato próximo com pacientes, incluindo mais de 4oo médicos, foram observadas.


A doença misteriosa, semelhante a uma pneumonia, surgiu no mês passado e desde então desperta temores em toda a região, onde as memórias da epidemia de SARS (sigla em inglês para Síndrome Respiratória Aguda Grave), em 2003, que começaram na China e mataram mais de 800 pessoas em todo o mundo, ainda permanecem.


O homem que morreu era cliente regular do mercado em Wuhan e já havia sido diagnosticado com tumores abdominais e doença hepática crônica, disse a comissão de saúde da cidade.

Embora nenhum caso novo tenha sido detectado desde 3 de janeiro, ainda restam perguntas. Especialistas disseram que o período mínimo de incubação para algumas infecções virais é de 15 dias, sugerindo que pode levar mais uma semana até que as autoridades possam determinar toda a extensão da doença.

A morte do homem ocorre pouco antes do Festival da Primavera, o maior feriado da China, que começa no dia 25 de janeiro, época em que centenas de milhões de pessoas viajam pelo país. Essa migração em massa aumenta o potencial de disseminação e agravamento de qualquer surto. Segundo estimativas do governo, os passageiros chineses farão três bilhões de viagens nas próximas cinco semanas para encontros familiares e turismo.

Nos últimos dias, as autoridades colocaram funcionários em aeroportos e estações de trem na região para examinar as pessoas que visitaram Wuhan. O mercado ligado ao vírus fica a menos de 1,6 km de uma estação de trem. As precauções incluem a identificação e verificação da febre dos passageiros.

Alerta na Ásia

As autoridades da cidade chinesa de Hong Kong e de outras partes da Ásia também intensificaram o escrutínio. A Autoridade Hospitalar de Hong Kong disse, no dia 4 de janeiro, que sete novos pacientes entre 3 e 50 anos que visitaram Wuhan nas últimas duas semanas e apresentaram sintomas de febre, respiratórios ou pneumonia foram admitidos nos hospitais locais nas últimas 24 horas para monitoramento, elevando o número total de casos de pacientes na cidade para 60 desde 31 de dezembro. Quarenta e seis desses pacientes já receberam alta e o restante está em condição estável, acrescentou a autoridade.

Também no dia 4 de janeiro, autoridades sul-coreanas disseram que a doença de uma mulher chinesa que haviam colocado em isolamento no início da semana não estava relacionada ao coronavírus, segundo a agência de notícias Yonhap do país. A mulher havia visitado Wuhan e sofria de tosse com irritação na garganta.

O governo chinês enfrentou pressão para divulgar mais informações sobre o vírus. Em 2002, após o início da SARS, uma perigosa doença respiratória, o governo chinês tentou encobrir a extensão da epidemia, minando severamente a confiança pública. Alguns especialistas argumentaram que a China deveria divulgar mais detalhes sobre o recente surto, como a via de transmissão, o período de incubação e as idades e gêneros dos pacientes.

As autoridades de saúde chinesas alertaram que são necessárias mais pesquisas para entender completamente o novo vírus. A Organização Mundial da Saúde elogiou a resposta das autoridades de saúde chinesas ao último surto.

Os coronavírus são uma grande família de vírus que infectam animais e pessoas, e alguns causam apenas os sintomas associados ao resfriado comum. As autoridades de saúde da China disseram que os sintomas da nova doença incluem febre alta, dificuldade em respirar e lesões nos pulmões.

 

 

Com informações do The New York Times. Edição do Setor Saúde.
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