Gestão e Qualidade | 12 de fevereiro de 2026

Avanços no tratamento transformam o cenário da leucemia

Mas enfrentamento da doença ainda apresenta desafios, especialmente relacionados à jornada do paciente

A leucemia tem hoje um cenário cada vez mais promissor graças aos avanços no tratamento. Com novas terapias, diagnósticos mais precisos e uma abordagem integral do paciente, as chances de um desfecho favorável e controle da doença aumentaram significativamente. Segundo o hematologista João Peron, da Oncoclínicas Canoas, informação e acesso às terapias adequadas têm sido fatores decisivos.



Trata-se de um câncer que afeta as células do sangue e compromete o sistema imunológico, levando a sintomas como anemia, infecções recorrentes, sangramentos e cansaço extremo. “O diagnóstico precoce é fundamental. Em alguns tipos de leucemia aguda, iniciar o tratamento rapidamente pode significar taxas de cura superiores a 80%. Já nas leucemias crônicas, identificar cedo garante melhor prognóstico e qualidade de vida”, destaca o especialista.


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Em Canoas, a unidade da Oncoclínicas atua como centro de referência ambulatorial, oferecendo estrutura completa para o tratamento da leucemia, incluindo consultas com hematologistas, quimioterapia, imunoterapia e suporte multidisciplinar com enfermagem, nutrição e psicologia. “Nosso foco é o cuidado integral do paciente. Procedimentos de alta complexidade, como o transplante de medula óssea, são realizados em hospitais parceiros, sempre com acompanhamento próximo da nossa equipe”, explica João Peron.


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Inovações e desafios

Entre as inovações, destacam-se as terapias-alvo, medicamentos orais que atacam especificamente as células doentes, reduzindo efeitos colaterais e tornando alguns tipos de leucemia doenças crônicas controláveis. Há também a CAR-T Cell Therapy, técnica que utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para combater o câncer. Embora ainda seja um tratamento restrito devido ao alto custo, já começa a se tornar realidade no Brasil para casos selecionados de leucemia aguda. O grupo Oncoclínicas já disponibiliza essa técnica e busca descentralizar o acesso em seus centros ao redor do país.

Apesar dos avanços, o enfrentamento da leucemia ainda apresenta desafios, especialmente relacionados à jornada do paciente. O hematologista observa que a concentração de centros especializados nas grandes capitais torna mais difícil o acesso rápido ao diagnóstico molecular, essencial para terapias mais personalizadas. Além disso, medicamentos modernos, como as terapias-alvo e tratamentos de alta complexidade como transplante, ainda enfrentam entraves de acesso e disponibilidade na rede pública e em alguns planos de saúde.

Em relação ao transplante de medula, João Peron ressalta que não é a única solução e, muitas vezes, nem sequer é necessário. Ele relata que a maioria das leucemias é tratada apenas com quimioterapia e terapias-alvo (“comprimidos inteligentes”). O transplante é reservado para casos específicos, tais como doenças resistentes à quimioterapia, recidiva (quando a doença volta) e tipos muito agressivos de leucemia com alto risco.

Atenção aos sinais e prevenção

Diferentemente de outros tipos de câncer, não existe exame de rastreamento para leucemia em pessoas sem sintomas. Por isso, é fundamental estar atento a sinais persistentes como cansaço excessivo, manchas roxas, sangramentos espontâneos, febre frequente, infecções recorrentes, dores ósseas e ínguas pelo corpo. O hemograma é o principal exame inicial para investigação.

Embora a leucemia muitas vezes resulte de mutações genéticas aleatórias, algumas medidas ajudam a reduzir riscos, como evitar exposição a produtos químicos tóxicos, não fumar e manter hábitos saudáveis. “Conhecimento, diagnóstico precoce e acesso às novas terapias são os pilares para transformar a realidade da leucemia. Hoje, temos muito mais motivos para falar em viver após a leucemia”, conclui o especialista.

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