Abbott recebe aprovação da Anvisa para serplulimabe, nova imunoterapia para câncer de pulmão agressivo no Brasil
Medicamento biológico é o único anti-PD-1 aprovado como primeira linha para câncer de pulmão de pequenas células em estágio avançado (CPPC-DE), uma das formas mais letais da doença.
A Abbott anunciou a aprovação regulatória da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para o uso de serplulimabe no Brasil. O medicamento passa a ser indicado como terapia de primeira linha para adultos com câncer de pulmão de pequenas células em doença extensa (CPPC-DE), uma das formas mais agressivas da doença.
Trata-se de uma imunoterapia anti-PD-1, classe de medicamentos que atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas. Com a aprovação, o serplulimabe se torna a única opção anti-PD-1 autorizada no país para esse perfil de pacientes.
A decisão representa um avanço relevante para a oncologia brasileira, ampliando o acesso a terapias inovadoras e fortalecendo o portfólio da companhia em mercados emergentes, como o Brasil.
Câncer de pulmão: cenário preocupante no Brasil
Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que o câncer de pulmão está entre os mais incidentes no país, com cerca de 18 mil novos casos anuais entre homens e 14 mil entre mulheres. Em mortalidade, ocupa posição de destaque global, sendo uma das principais causas de morte por câncer.
Cerca de 15% dos diagnósticos correspondem ao tipo de pequenas células (CPPC), caracterizado por crescimento rápido e alta capacidade de disseminação. Desses casos, entre 60% e 85% já são diagnosticados na forma extensa (CPPC-DE) — estágio mais avançado e com pior prognóstico.
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No Brasil, segundo o Oncoguia, 91% dos diagnósticos realizados pelo SUS ocorrem em fases avançadas, o que limita as opções terapêuticas e impacta diretamente a sobrevida.
Novo tratamento pode ampliar sobrevida e qualidade de vida
Sem tratamento, pacientes com CPPC-DE têm expectativa de vida de 2 a 4 meses. Historicamente, a quimioterapia foi o padrão de primeira linha desde a década de 1990, elevando a sobrevida mediana para cerca de 10 meses.
Com a incorporação da imunoterapia, especialmente em combinação com quimioterapia, houve avanços modestos — até agora.
O estudo clínico ASTRUM-005 demonstrou resultados relevantes com o uso de serplulimabe:
Redução de 54% no risco de progressão da doença
Ganho de 4,7 meses na sobrevida mediana
21,9% dos pacientes vivos após quatro anos, versus 7,2% com quimioterapia isolada
Além disso, pacientes tratados com o regime combinado relataram melhora na qualidade de vida, incluindo redução da dor após 18 semanas de tratamento, com perfil de segurança considerado bem tolerado.
Especialistas destacam avanço no tratamento
“A aprovação de serplulimabe no Brasil é um marco importante à medida que buscamos ampliar o acesso a medicamentos de alta qualidade em oncologia”, afirma William Nassib William Jr., Líder Nacional de Oncologia Torácica do Grupo Oncoclínicas. “A chegada desta opção biológica representa um passo significativo para ampliar o acesso e atender às necessidades urgentes e não atendidas relacionadas ao câncer de pulmão no país.”
“Os benefícios observados com serplulimabe nos estudos clínicos representam um progresso relevante no tratamento de uma das formas mais agressivas de câncer de pulmão, especialmente no que diz respeito à ampliação da sobrevida com boa qualidade de vida”, afirma Mauricio Morales Castillo, Diretor Médico Associado Global na área de medicamentos da Abbott.
“A maioria dos pacientes com CPPC-DE é diagnosticada em estágios avançados, quando as opções de tratamento são limitadas. Esta aprovação representa um importante avanço e pode proporcionar mais tempo juntos para pacientes e suas famílias.”
Como funciona o serplulimabe
O serplulimabe atua bloqueando a proteína PD-1, um mecanismo que funciona como um “freio” do sistema imunológico. Ao inibir essa proteína, o medicamento permite que as células de defesa permaneçam ativas e consigam identificar e atacar as células tumorais com mais eficiência.
A Sociedade Europeia de Oncologia Médica atribuiu ao tratamento pontuação 4 de 5 na Escala de Magnitude de Benefício Clínico (MCBS) para uso em primeira linha no CPPC-DE, reforçando seu potencial terapêutico.
Estratégia e legado da Abbott em oncologia
Com mais de 135 anos de atuação global e quase nove décadas no Brasil, a Abbott vem ampliando sua presença em oncologia com foco em inovação, acesso e cuidado integral — desde o diagnóstico até o tratamento e acompanhamento contínuo dos pacientes.
A aprovação do serplulimabe reforça esse posicionamento e consolida a estratégia da companhia de levar terapias avançadas a mercados com alta demanda não atendida, como o Brasil.