Oncoclínicas confirma continuidade das negociações com Porto Seguro e Fleury para criação de nova empresa oncológica
Aliança busca consolidar ativos estratégicos e reforçar liquidez da Oncoclínicas, enquanto racha interno leva à saída do presidente do conselho em meio às negociações com as empresas.
A Oncoclínicas (grupo Oncoclínicas&Co) confirmou a continuidade de negociações exclusivas com a Porto Seguro e o Grupo Fleury, com o objetivo de estruturar uma nova empresa dedicada à oncologia, reunindo ativos essenciais do grupo. A iniciativa integra a estratégia de reorganização de ativos, fortalecimento de governança e busca por maior robustez financeira em um contexto desafiador para a companhia e o setor de saúde como um todo.
Exclusividade de negociação
O período de exclusividade foi formalizado em 13 de março de 2026, garantindo prioridade na definição do aporte de capital, estrutura societária e instrumentos financeiros da potencial NewCo. Esse mecanismo, previsto em acordo não vinculante, permite ajustes antes da assinatura dos documentos definitivos.
Estrutura projetada da NewCo
A nova sociedade reunirá os ativos de clínicas oncológicas da Oncoclínicas, com participação relevante de Porto Seguro e Fleury. Entre os elementos principais da estrutura estão:
Capital e controle: aporte conjunto que permitirá aos parceiros assumir o controle estratégico da operação.
Ativos e passivos: contribuição das clínicas existentes, incluindo parte do endividamento, em uma operação planejada para equilibrar riscos e retornos.
Instrumentos financeiros: utilização de debêntures conversíveis e participação acionária, garantindo flexibilidade na alocação de capital e na governança futura.
Racha interno e renúncia no conselho
O ambiente interno da Oncoclínicas foi marcado recentemente por divergências em seu conselho de administração sobre a proposta de venda ou integração com Fleury e Porto Seguro. Fontes indicam que essas desavenças contribuíram para a saída de Marcelo Gasparino da Silva do cargo de presidente do conselho em 7 de abril de 2026.
A gestora Mak Capital, acionista relevante na companhia, intensificou críticas à administração, apontando riscos à liquidez e sugerindo mudanças na liderança e composição do conselho. Documentos internos da CVM também revelaram dissidências de conselheiros independentes sobre a condução das negociações, questionando a viabilidade da Oncoclínicas remanescente após a transação.
A renúncia de Gasparino implicou a destituição de todo o conselho de administração, dada a eleição via voto múltiplo, levando à necessidade de eleição de novos membros na assembleia geral extraordinária marcada para 30 de abril de 2026.
Impacto estratégico
A proposta de criação da NewCo pretende fortalecer a liquidez da Oncoclínicas, reduzir pressão sobre o fluxo de caixa e viabilizar investimentos estratégicos em expansão e inovação dos serviços oncológicos. Ao mesmo tempo, os questionamentos internos e a renúncia no conselho destacam desafios de governança que podem influenciar a percepção de investidores e credores no curto prazo.
Próximos passos
A formalização da operação depende de due diligence completa, aprovação de credores e órgãos regulatórios, incluindo o Cade. Embora o acordo não vinculante reforce a seriedade das negociações, não há garantia de conclusão automática da transação.
Com informações Valor Econômico, Metrópoles, InvestNews: e Money Times/Reuters. Edição SS.