Procedimento inédito no Tacchini amplia chances de recuperação de pacientes com AVC
Segundo o médico emergencista do Hospital Tacchini Bento Gonçalves, Dr. Lucas Graciolli, a recuperação da paciente após a trombectomia mecânica foi impressionante.: "Ela melhorou no mesmo dia e recuperou quase totalmente os movimentos. Foi algo totalmente decisivo para a vida dela”, relata.
Em dezembro do 2025, o Hospital Tacchini Bento Gonçalves realizou o primeiro procedimento de trombectomia mecânica. Considerada uma das terapias mais modernas e eficazes para casos específicos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico, a técnica amplia significativamente as chances de recuperação dos pacientes e passa a integrar, de forma estruturada, a linha de cuidado neurológico da instituição.
De acordo com o médico emergencista do Hospital Tacchini, Dr. Lucas Graciolli, a técnica representa uma evolução em relação ao tratamento convencional, utilizado na maioria dos hospitais, que prevê a administração de medicamentos pela veia para tentar dissolver o trombo que obstrui a artéria cerebral. “A trombectomia é muito semelhante ao cateterismo usado em casos de infarto. A equipe entra pela artéria e aspira diretamente o trombo no cérebro. O benefício para o paciente é muito grande”, explica.
Segundo o médico, a implementação da técnica em Bento Gonçalves exigiu um processo complexo de organização. “A gente vinha trabalhando há bastante tempo para alinhar tudo: equipe, materiais, fluxos, pactuações e estrutura. Com a nova equipe de Neurologia e Neurocirurgia, junto com a emergência, conseguimos viabilizar esse tratamento altamente avançado”, destaca.
Primeiro caso
O primeiro caso tratado no Tacchini foi o de uma paciente entre 50 e 60 anos, que chegou ao hospital com sintomas graves, como paralisia de um lado do corpo e dificuldade importante na fala. O tratamento medicamentoso inicial não apresentou resposta satisfatória, o que levou à indicação da trombectomia. “A recuperação foi impressionante. Ela melhorou no mesmo dia e recuperou quase totalmente os movimentos. Foi algo totalmente decisivo para a vida dela”, relata Dr. Graciolli.
Parceria com IMCELER
A logística do procedimento envolve uma atuação integrada entre diferentes equipes. A emergência do hospital discute cada caso com os neurologistas clínicos do IMCELER a partir do serviço de TeleAVC. Quando a trombectomia é indicada, a equipe de neurocirurgia é acionada e o procedimento é realizado na hemodinâmica do hospital, com a participação de um neurorradio intervencionista. O procedimento é realizado na sala de hemodinâmica do hospital.
“Casos como esse reforçam o propósito que nos move: organizar sistemas para que o desfecho que realmente importa aconteça — o paciente voltar à sua vida normal. A trombectomia mecânica não salva vidas sozinha. O que faz a diferença é o trabalho em equipe, a decisão correta no tempo certo e uma linha de cuidado bem estruturada, que começa na emergência e segue até o tratamento definitivo”, destaca Dr. Diógenes Zãn, neurologista do IMCELER.
Trombectomia
A trombectomia mecânica não é indicada para todos os pacientes com AVC. Existem critérios clínicos bem definidos para a realização do procedimento, como o tempo desde o início dos sintomas, a localização do trombo, a gravidade do quadro neurológico e as características específicas de cada caso. Atualmente, o tratamento não está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo realizado para pacientes Tacchimed e de alguns outros convênios.
De acordo com o Dr. Zãn, ela é indicada em situações específicas de AVC isquêmico, especialmente quando há obstrução de grandes artérias cerebrais, e pode reduzir de forma significativa o risco de morte e incapacidade quando realizada dentro dos critérios clínicos e de tempo adequados. Poucos hospitais gaúchos realizam esse procedimento.