Gestão e Qualidade, Tecnologia e Inovação | 26 de janeiro de 2026

Startup criada no RS representará o Brasil na principal competição global de empreendedorismo entre estudantes

O Portal Setor Saúde conversou com a fundadora e CEO da Scale que disputará o Global Student Entrepreneur Awards (GSEA) em fevereiro no Panamá.
Startup criada no RS representará o Brasil na principal competição global de empreendedorismo entre estudantes

A startup gaúcha Scale Reabilitação representará o Brasil na principal competição global de empreendedorismo entre estudantes, o Global Student Entrepreneur Awards (GSEA), que ocorre no dia 2 de fevereiro, no Panamá. Após passar com destaque na final nacional disputada em São Paulo em 2025, Maria Eduarda Wecker, foi escolhida para representar o Brasil na competição com a sua Startup. A Scale nasceu da conexão entre engenharia e saúde, impulsionada pelo desejo de transformar a reabilitação motora. A jornada começou em 2019, quando Wecker, apresentou seu trabalho de conclusão de curso. Hoje ela atende hospitais – entre eles o Hospital Moinhos de Vento – e clínicas, mas já tem planos para expandir a sua ferramenta para atender os segmentos de homecare e esportivo. Ao portal Setor Saúde ela fala da sua formação acadêmica, de como surgiu a ideia inicial, da ferramenta e funcionalidades, da importância em buscar eventos para apresentar a sua startup e da expectativa da próxima etapa da competição.



O início e a influência dos pais

Wecker sempre teve uma trajetória empreendedora, fortemente influenciada pelos seus pais.  “Eu sempre tive o empreendedorismo dentro de casa como um dos maiores exemplos. Os meus pais são empreendedores. Não herdaram uma empresa familiar. Eles criaram o seu próprio negócio que deu muito certo. Sempre convivi dentro de casa com os exemplos deles. Acredito que essa veia empreendedora me facilitou para ter a coragem de abrir um negócio.”

“Em 2019 eu me formei. Fiz o curso técnico em Mecânica Industrial na Fundação Liberato de Novo Hamburgo. Mas percebi que não queria seguir com a área da mecânica na área industrial, apesar do meu pai ter metalúrgica, marcenaria. Mesmo não querendo seguir na área, eu precisava fazer o trabalho de TCC para a conclusão do curso. Eu queria migrar para a área da saúde, mas não sabia o que especificamente poderia fazer nesta área. Então resolvi fazer um projeto de TCC que pudesse alinhar as duas áreas, tanto a mecânica quanto a saúde.”

“Desenvolvi uma órtese para uma criança com paralisia cerebral, mais especificamente para ajudar ela a caminhar, para melhorar a sua marcha, E o projeto foi muito legal, muito bem-sucedido, teve resultados bem promissores. Acabei ganhando algumas premiações por conta desse projeto em 2019. Mas depois chegou a pandemia e a ideia parou. Depois fui fazer Nutrição na PUCRS e como tinha essa veia empreendedora, comecei a trabalhar no parque tecnológico da PUC, o Tecnopuc, dentro do Biohub, que é hub de inovação para a saúde. Em 2023 conheci melhor o mundo dos negócios. E enxerguei que aquela ideia do meu TCC poderia, de fato, se tornar um negócio, uma startup.”

Scale: órteses robóticas para a movimentação contínua e personalizada de pacientes 

Wecker percebeu que a solução também seria útil para outros pacientes hospitalares, como aqueles que sofreram um trauma ou que estivessem acamados, necessitando se recuperar por meio de sessões de fisioterapia. “A Scale surgiu de uma demanda real de um paciente com condições neurológicas. Mas percebi que em outros cenários hospitalares, com pacientes que precisavam de uma órtese eletrônica para recuperar os movimentos por meio da realização de exercícios de fisioterapia. Então, eu comecei a estudar melhor toda esta dinâmica. Vi durante minha trajetória no Tecnopuc, em atividades nos hospitais São Lucas da PUCRS e em outros como o Ernesto Dornelles, uma necessidade concreta a ser atendida.”

“A Scale desenvolve órteses robóticas para a movimentação contínua e personalizada de pacientes. Com a órtese de membro superior conseguimos controlar pelo celular a velocidade, a angulação e a repetição que aquele paciente precisa de forma personalizada. Quem comanda tudo isso são as equipes de fisioterapia e de enfermagem. Elas vestem a órtese no paciente e criam o plano de tratamento.”

“Hoje, por exemplo, um paciente que está internado no hospital por alguns dias ou até mesmo por meses, precisa ser movimentar para não ter   agravos como complicações de perda de massa muscular, lesão por pressão, escaras, enfim, complicações de circulação, mas os hospitais não têm muitos fisioterapeutas disponíveis para o paciente.

Além da questão assistencial, Wecker destaca ainda uma maior eficiência, escalabilidade e otimização no dia a dia de hospitais e clínicas, reduzindo custos operacionais e aumentando a capacidade de atendimento. “Hoje, um fisioterapeuta consegue num turno atender em torno de 5 a 10 pacientes. Com a órtese ele consegue acelerar esse processo, porque ele consegue atender de 2 a 3 pacientes ao mesmo tempo”, explica.


hospital moinhos scale reabilitacao

Maria Eduarda Wecker (centro) no Hospital Moinhos em evento do Centro de Inovação da instituição hospitalar (Atrion). A Scale está incubada no Atrion.


Além de desenvolver e produzir a Órtese de Membros Superiores – que já está em operação nos hospitais – a Scale também está desenvolvendo uma Órtese de Membros Inferiores.

A importância da participação em eventos

Uma das grandes dificuldades para as startups é conseguir se destacar em um oceano de novas soluções que surgem a cada dia. Para Wecker a participação em feiras especializadas foi crucial para que a Scale fosse enxergada e o seu propósito entendido pelos clientes potenciais. A startup participou de duas edições da feira HEALTH MEETING BRASIL / SINDIHOSPA, obtendo resultados significativos e promissores em ambas. “A nossa startup participou de duas edições da Health Meeting. As duas foram sensacionais, cada uma com um objetivo diferente. Na primeira vez, tínhamos apenas dois meses de Scale. Mas a feira nos proporcionou uma conexão muito direta e imediata com os hospitais. Nós conseguimos nosso primeiro contrato nesse evento, que é até hoje o nosso maior contrato, que é com o Hospital Moinhos de Vento, uma instituição de referência, considerado o terceiro melhor hospital da América Latina. Quem nos proporcionou isso foi a feira. A participação foi muito positiva.”

health meeting scale

Maria Eduarda Wecker na Health Meeting Brasil / Sindihospa.


“No ano seguinte, em 2025, a gente conseguiu ter resultados ainda melhores. Não apenas com hospitais, mas passamos a nos relacionar comercialmente com as clínicas. E hoje, este segmento passou a ser também um dos nossos nichos de atuação. A gente viu que o público estava muito bem direcionado, a gente ficou superfeliz com a repercussão. É uma feira que tende a crescer cada vez mais, e com certeza no próximo ano estaremos novamente”, informou Wecker.



Expectativas da etapa GSEA no Panamá

A CEO da Scale também falou sobre a expectativa para a próxima etapa da maior competição mundial voltada para estudantes empreendedores, o Global Student Entrepreneur Awards (GSEA). “Eu fiquei muito feliz com a escolha. Acho que isso é resultado de muito trabalho e de uma conexão muito legal que a gente teve ali entre os jurados e os demais participantes. Foi extremamente valioso aquele dia de apresentação. O brasileiro tem o sangue empreendedor. Acho que isso ninguém discute né? Vou fazer o meu máximo para representar esse país como ele merece ser representado. Já estou estudando e me preparando bem para essa competição. Tenho certeza de que ela será muito importante, muito enriquecedora”, finalizou.

maria eduarda wecker scale

Passando na próxima fase (América Latina), Maria Eduarda Wecker levará a Scale para a grande disputa mundial que acontecerá na África do Sul, em junho deste ano, competindo com startups e estudantes oriundos dos cinco continentes.

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