Prevenção, rastreamento e novos avanços ampliam chances de controle do câncer de colo de útero
Quando conseguimos prevenir a infecção persistente pelo HPV ou identificar precocemente as alterações causadas por ele, as chances de cura são extremamente altas”, explica a oncologista Alessandra Morelle, da Oncoclínicas RS.
Silencioso, mas altamente prevenível, o câncer de colo do útero segue entre os tumores mais incidentes entre as mulheres no Brasil e ainda representa um importante desafio de saúde pública. No RS, a estimativa é de 620 novos casos/ano de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Segundo a oncologista Alessandra Morelle, da Oncoclínicas RS, a combinação entre vacinação contra o HPV, rastreamento gradual e tratamento precoce das lesões precursoras é a estratégia mais eficaz para reduzir a incidência e a mortalidade pela doença.
“O ponto central é que estamos falando de um câncer que pode, em grande parte, ser evitado. Quando conseguimos prevenir a infecção persistente pelo HPV ou identificar precocemente as alterações causadas por ele, as chances de cura são extremamente altas”, explica a especialista.
Uma das principais mudanças recentes nas estratégias de prevenção é a adoção do teste molecular de DNA-HPV como método preferencial de rastreamento. De acordo com a oncologista, essa tecnologia já está definida como tendência e vem sendo implementada de forma gradual nos serviços públicos de saúde.
“O teste de DNA-HPV detecta diretamente a presença do vírus de alto risco, responsável pela maioria dos casos de câncer do colo do útero. Ele é mais sensível, identifica o risco mais cedo e permite intervalos maiores entre os exames quando o resultado é negativo”, afirma Alessandra.
O exame Papanicolau, por sua vez, segue com papel importante, especialmente nos locais onde o teste molecular ainda não está disponível. “A citologia avalia alterações nas células do colo do útero e é um método eficaz, mas exige rastreamento mais frequente por ter menor sensibilidade em comparação ao DNA-HPV”, complementa.
A população-alvo do rastreamento é composta por mulheres com colo do útero entre 25 e 64 anos. Quando o DNA-HPV é negativo, a repetição do exame é indicada a cada cinco anos. Já onde ainda se utiliza o Papanicolau, após dois resultados anuais normais, o intervalo passa a ser de três anos.
Vacinação contra o HPV
Outro pilar fundamental da prevenção é a vacinação contra o HPV, recomendada rotineiramente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual. “A vacina é extremamente segura e eficaz. Ela reduz de forma significativa o risco de infecção pelos tipos de HPV mais associados ao câncer”, destaca a oncologista.
A especialista ressalta ainda a importância de estratégias de resgate vacinal e de esquemas específicos para grupos com indicação diferenciada, conforme as diretrizes de saúde. Mesmo mulheres vacinadas devem manter o rastreamento periódico. “A vacina não substitui os exames preventivos; as duas estratégias são complementares”, reforça.
Atenção aos sinais
A especialista lembra que a maioria das infecções por HPV é transitória, mas a probabilidade aumenta quando há persistência do vírus de alto risco, especialmente em associação a fatores como o tabagismo. O uso de preservativos ajuda a reduzir a transmissão, embora não elimine totalmente o risco.
Entre os sinais de alerta que exigem avaliação médica estão sangramento fora do período menstrual ou após a relação sexual, corrimento persistente e dor pélvica. “Persistem desigualdades regionais e de acesso aos serviços de saúde, o que impacta diretamente os indicadores da doença. Ampliar o acesso à vacinação, ao rastreamento adequado e ao tratamento oportuno é essencial para mudar esse cenário”, destaca a oncologista.
Tratamento
O tratamento do câncer de colo do útero depende do estágio em que a doença é diagnosticada. Alessandra explica que lesões precursoras (pré-câncer) podem ser tratadas em nível ambulatorial, com procedimentos para retirada de tecidos anormais, apresentando altíssimas chances de cura.
Nos estágios iniciais, o tratamento pode incluir cirurgia e/ou radioterapia, enquanto nos casos localmente avançados (estádios III a IVA), o padrão é a quimiorradioterapia concomitante, associando quimioterapia à radioterapia externa e à braquiterapia – doses de radiação no local.
Já nos casos de doença recorrente ou metastática, o tratamento pode envolver quimioterapia, terapias antiangiogênicas e, em subgrupos específicos, imunoterapia, conforme critérios clínicos e regulatórios.
Oncoclínicas&Co
A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiper especializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 47 cidades brasileiras, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 670 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, e mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha). Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Com o objetivo de ampliar sua missão global de vencer o câncer, a Oncoclínicas chegou à Arábia Saudita por meio de uma joint venture com o Grupo Al Faisaliah, levando sua expertise oncológica para um novo continente.