80 mil pessoas poderão morrer por causa das superbactérias
Estimativas do governo britânico sugerem que infecções podem aumentar exponencialmente nos próximos 20 anos
O governo britânico emitiu um alerta, dia 6, sobre a possibilidade de milhares de pessoas morrerem se ocorrer um surto de infecções resistentes a medicamentos. De acordo com o aviso, cerca de 80 mil pessoas podem perder a vida por causa das chamadas “superbugs”.
O relatório afirma que os tratamentos médicos modernos também podem ser fatais por causa da presença de micróbios super-resistentes à maioria dos antibióticos. Os profissionais de saúde estão preocupados com a existência de novas estirpes de vírus e bactérias que são resistentes aos antimicrobianos, resultando na ineficácia dos medicamentos antivirais e antibacterianos comumente usados em hospitais e centros de saúde em todo o mundo.
Elaborado pelo Gabinete do Governo britânico, o material afirma que não havendo antibióticos que funcionem de forma eficaz, operações de cirurgia de rotina, e até mesmo menores, poderia tornar tais procedimentos de alto risco, levando a um tempo maior duração da doença e o aumento da mortalidade.
O estudo diz ainda que o número de infecções causadas por superbactérias pode aumentar exponencialmente nos próximos 20 anos: “se um surto generalizado viesse a ocorrer, poderíamos esperar que cerca de 200 mil pessoas pudessem ser afetadas por uma infecção bacteriana no sangue, que não poderia ser tratada de forma eficaz com as drogas existentes, e cerca de 80 mil dessas pessoas poderiam vir a morrer.”
Os líderes do Reino Unido estão trabalhando com parceiros globais para enfrentar este problema. Um aviso anterior também foi emitido por políticos e cientistas, sublinhando a necessidade de encontrar um tratamento eficaz para infecções deste tipo. De acordo com o primeiro-ministro britânico David Cameron, em declaração no mês de julho do ano passado, a infecção por superbactéria é uma ameaça séria, podendo levar toda a comunidade de saúde “de volta para a idade das trevas da medicina.”
Bactérias e vírus resistentes aos medicamentos já são responsáveis pela perda de 50 mil vidas por ano nos Estados Unidos e na Europa juntos, como revelou o relatório.
O uso de antibióticos no Reino Unido está em ascensão. O The National Institute for Health and Care Excellence vem alertando os profissionais de saúde para controlarem a prescrição de antibióticos aos pacientes, e assim, ajudar a diminuir os riscos do aumento de casos de superbactérias.
EUA anunciou plano de combate
O governo americano anunciou no dia 27 de março um novo plano de cinco anos para travar a propagação de bactérias resistentes a antibióticos (ver aqui).
Um dos problemas se aloja no uso de antibióticos na criação de animais para o consumo humano. A rede de fast food McDonald´s (ver aqui) e a Nestlé fizeram recentemente mudanças em suas políticas corporativas para coibir o uso de antibióticos ao longo das suas cadeias de suprimentos. Porém, são iniciativas isoladas e muitas empresas não têm se esforçado para promover mudanças na produção de seus alimentos.