4 medidas para os hospitais seguirem o caminho “verde”
Foco no meio ambiente também pode gerar economia para instituições de saúde
Na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças do Clima (COP-21), em dezembro, 195 países chegaram a um acordo sobre ações para amenizar os efeitos do homem no clima da Terra, comprometendo-se a manter o aumento da temperatura global neste século bem abaixo de 2ºC. Em paralelo, a coalizão internacional Health Care Without Harm (Saúde Sem Dano, em tradução livre) anunciou que 8.200 hospitais e centros de saúde de 16 países, se comprometeram a reduzir as emissões de carbono até 2020.
Os hospitais são grandes consumidores de água e energia. No geral, os serviços de saúde são responsáveis por 8% das emissões de carbono dos EUA, de acordo com uma estimativa de 2009. Adotando práticas para poupar energia, adotando medidas sustentáveis, poderia se salvar até US$ 15 bilhões em 10 anos, tornando iniciativas “verdes” uma importante fonte de economia para as instituições de saúde.
Enquanto o mundo ganha motivação devido às definições do COP-21, hospitais e redes de saúde podem aumentar ainda mais a sua sustentabilidade para reduzir o desperdício e melhorar as finanças. O portal Health Care Dive listou quatro principais abordagens para as instituições seguirem o caminho “verde”.
1) A garantia de metas adequadas são definidas a fim de tornar o rastreamento significativo
Enquanto 69% dos hospitais pesquisados em termos de rastreio de energia, apenas 37% incluíam métricas de desempenho como um item de performance, de acordo com uma pesquisa (2015) do Health Facilities Management Sustainable Operations. Ou seja, menos da metade tinham definidas e controladas suas metas de uso de energia. Além disso, a pesquisa identificou a necessidade de um maior envolvimento do setor de administração em iniciativas de sustentabilidade. Quase 60% das respostas indicaram nenhum gestor em equipes de sustentabilidade, e apenas 29% tinha designado um gerente de sustentabilidade para supervisionar seus programas.
Sem metas e métricas de desempenho, os hospitais podem ter mais dificuldade em perceber a poupança de energia e o aumento da eficiência. Esta tarefa torna-se ainda mais difícil sem o envolvimento da alta cúpula, que toma decisões. Ao melhorar a definição de estratégia de meta, hospitais podem se beneficiar com investimentos verdes sem muito custo adicional.
2) Melhoria da eficiência energética
A Commonwealth Fund, uma fundação privada, estima que os custos de energia giram entre 1% e 3% do orçamento de um hospital típico.
Melhorar os sistemas de iluminação e climatização dos edifícios mais velhos pode gerar uma substancial redução dos custos anuais. A co-geração de calor e electricidade a partir da mesma fonte, pode reduzir os custos de energia de 25% a 40%, de acordo com o Advisory Board Company. Esses investimentos verdes normalmente têm claro retorno sobre os investimentos e, como um bônus, exigem pouca mudança no comportamento pessoal – tornando-os fáceis de implementar. Na mesma análise, o Advisory Board Company estima uma economia de US$ 600 mil a US$ 1,8 milhão com essas melhorias do consumo de energia.
No entanto, com muitas outras prioridades orçamentárias, pode ser difícil investir em atualizações. Como primeiro passo, os hospitais estão se voltando para o chamado retro-comissionamento (retrocommissioning), um processo em que são analisados os sistemas de energia existentes de um prédio e otimizados para o uso mais eficiente.
Um entrevistado para a pesquisa da Health Facilities Management registrou uma poupança de US$ 250 mil em eletricidade a partir de vários edifícios retro-comissionados. Apenas 42% dos entrevistados relataram execução ou planejamento neste sentido, o que indica uma poupança potencial e inexplorada.
3) Reduzir a geração de resíduos, especialmente os de risco biológico
Além de consumir grandes quantidades de energia, hospitais geram quantidades significativas de resíduos, incluindo os de risco biológico. Diariamente, as instituições dos EUA produzem 6.600 toneladas de resíduos.
Resíduos médicos, eliminados através de sacos especiais, levam 13 vezes mais tempo para se decompor do que o lixo comum. Identificar o mau uso destes resíduos e garantir o descarte adequado pode impactar o volume geral, reduzindo significativamente os custos de eliminação. Tomando essa medida, o Hospital Inova Fairfax, na Virginia, economiza US$ 200.000 anualmente, reduzindo o desperdício no gerenciamento deste específico tipo de resíduo.
Em outro estudo, a Commonwealth Fund colheu dados em quatro hospitais que haviam implementado novas intervenções de gestão de resíduos. Ao longo de cinco anos, a média de redução de custos, por cada paciente, foi cerca de US$ 0,40 por dia. Pelos cálculos da Commonwealth, se todos os hospitais dos EUA adotassem as mesmas práticas, a redução líquida de custos, em cinco anos, subiria para US$ 700 milhões.
4) Procurar os pequenos e os grandes gastos
O caminho “verde” inclui iluminação de LED, energia solar, entre outros investimentos de capital de alto custo. No entanto, iniciativas táticas, destinadas a reduzir o uso de equipamentos, podem gerar ganhos de eficiência também. Blocos operatórios são repletos de equipamentos e materiais a serem utilizados em cirurgias. Muito do que não for utilizado, deverá ser eliminado após a cirurgia, uma vez que deixará de ser estéril. Reformular os pacotes de serviços, para refletir melhor o que vai realmente ser usado em uma determinada cirurgia, reduz o desperdício desnecessário, muitas vezes de materiais médicos caros. Isso poderia gerar uma economia considerável. Embora um hospital não consiga, individualmente, ver economias dramáticas com essa reformulação, muitas vezes essas iniciativas aparentemente pequenas podem ser mais fáceis de implementar do que projetos maiores.
Exemplo de pioneirismo
No ano passado, o Gundersen Health System, em Wisconsin, tornou-se o primeiro sistema de saúde dos EUA a produzir mais energia do que consumia. Mesmo atendendo uma região que inclui 19 condados (nos EUA cada estado está subdividido administrativamente, em territórios chamados condados), o Gundersen economizou US$ 2 milhões por ano a partir da qualificação na eficiência global da energia usada.
Conforme mais hospitais e sistemas de saúde adotarem exemplos como esses, o setor como um todo poderá ver economias de custo significativas, melhorando a saúde ambiental.

Gundersen Health System, em Wisconsin (EUA)