Gestão e Qualidade | 11 de setembro de 2019

UnitedHealth reestrutura operações no Brasil e substitui presidente da AMIL

Prejuízos acumulados e declarações polêmicas estão relacionadas à saída de Lottenberg
UnitedHealth reestrutura operações no Brasil e substitui presidente da AMIL

aa

De acordo com informações do grupo norte-americano UnitedHealth Group (UHG), dona da Amil, o médico pediatra José Carlos Magalhães assume como CEO da companhia em substituição a Claudio Lottenberg, que estava no cargo desde 2016.

IMG_1799

 

Magalhães também acumulará o cargo de CEO do Americas Serviços Médicos, braço hospitalar do grupo,  de acordo com nota oficial divulgada pelo UHG.

“O Dr. José traz mais de 30 anos de experiência em assistência médica, incluindo 24 anos na Amil. Ele vai liderar a empresa que busca oferecer assistência médica de alta qualidade e preço acessível a milhões de beneficiários e pacientes que temos a honra de atender. O Dr. Claudio Lottenberg passará a atuar como Chairman do UnitedHealth Group Brasil, trabalhando com o Dr. Magalhães para fornecer orientações estratégicas. Estamos todos otimistas com os avanços contínuos do UnitedHealth Group Brasil”, diz o documento.

IMG-1807

Claudio Lottenberg Chairman da UnitedHealth Group Brasil

 

Em carta enviada aos funcionários, Molly Joseph, CEO global da companhia, diz que “sabemos que a acessibilidade e a qualidade são questões-chave para os beneficiários e pacientes que atendemos. Como uma empresa líder em serviços de saúde, temos a oportunidade e a obrigação de promover melhorias no custo total dos cuidados e na qualidade para nossos beneficiários, pacientes e empregadores. Para nos ajudar a fazer isso, tenho o prazer de anunciar que um líder conhecido por muitos de vocês, o Dr. José Carlos Magalhães, atuará como novo CEO do Americas Serviços Médicos e como CEO do UnitedHealth Group Brasil”.

Molly joseph9

Molly Joseph, CEO global da UnitedHealth Group

 

Molly destaca em seu comunicado que Lottenberg irá assegurar uma transição da liderança tranquila, além de elogiar o papel de Lottenberg.

Disputa com Rede D´Or e declarações ofensivas ao mercado

Neste ano, a operadora Amil anunciou o descredenciamento de hospitais da Rede D’Or São Luiz, a maior rede de hospitais do Brasil. Na ocasião, Claudio Lottemberg deu declarações fortes. Em artigo publicado na revista Exame, afirmou que “os hospitais são os vilões da inflação médica”.

Em outra entrevista para o jornal o Globo, Lottemberg falou: “Não é nada com a Rede D’Or, é com hospitais que tenham práticas questionáveis. Hoje, 30% do que pagamos já são por modelos diferentes da fee for service (remuneração por serviço prestado). As pessoas que compram plano de saúde querem liberdade de escolher seus hospitais, e não vamos coibir isso. Mas vamos proteger as pessoas para que tenham uma medicina por preço justo. Porque é isso que elas querem de nós. Quem estiver disposto a ter uma medicina de boa qualidade vai continuar conosco”.

Tais declarações repercutiram de forma negativa no mercado. A Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), entidade que representa hospitais em todo o Brasil, disse, em nota assinada pelo presidente em exercício, Marcelo Britto: “O que se espera das lideranças do setor é que a discussão sobre os caminhos para a sustentabilidade se dê em bases técnicas, respeitosas e proativas”.

Fontes ouvidas pelo portal Setor Saúde afirmam que, além das declarações ofensivas, os resultados da operadora tiveram papel crucial para a saída de Lottenberg da gestão.

Prejuízos, demissões e perda de mercado

A Amil vem acumulando prejuízos desde que foi adquirida por R$ 10 bilhões em 2012, conforme o jornal Valor Econômico. Na empresa desde 2016, Lottemberg não conseguiu reverter a situação. O novo CEO José Carlos Magalhães, atuou por muitos anos ao lado de Edson Bueno (fundador da Amil, falecido em 2017), e é reconhecido como expert no mercado de planos de saúde, além de já ter dados provas de saber trabalhar sem atritos e ataques à parceiros da cadeia de saúde.

Ainda segundo o Valor, a UHG quer que cada departamento da operadora diminua 30% entre orçamento e salários. Neste ano, 300 pessoas já foram despedidas, entre elas empregados de cargos altos na companhia. O número de demissões tende a crescer. A Amil contava com 38 mil funcionários no Brasil, no ano passado. A reestruturação da empresa está sendo feita pelo CEO da UnitedHealth Group (controladora da brasileira), Molly Joseph.

Ainda segundo o Valor, por conta da redução no número de hospitais credenciados da Amil, a operadora perdeu 240 mil usuários de seus planos de saúde e, de acordo com fontes próximas aos negócios do grupo, o número pode chegar a 350 mil pessoas até o fim deste ano. O desempenho da empresa do ramo de saúde tem desagradado os americanos, que detém a companhia.

Optum deixa de oferecer serviços para o mercado

UnitedHealth Group dos EUA – que no Brasil opera a operadora de planos de saúde Amil e a rede de hospitais Americas Serviços Médicos, não irá oferecer mais ao mercado brasileiro os serviços da Optum, ainda conforme informações recentes divulgadas pelo Valor.

Nos EUA, a Optum também presta serviços a concorrentes da UnitedHealthcare. O serviço não conseguiu fazer sucesso no Brasil por causa da desconfiança de operadoras e hospitais. Os clientes tinham receio de conceder dados a uma companhia que possuía parceria com concorrentes de suas operadoras de serviços. A rentabilidade da Optum, nos EUA, porém, é maior do que a de seguro de saúde. No ano passado, a empresa obteve receita líquida de US$ 101 bilhões e lucro operacional de US$ 8,2 bilhões.

A UHG é uma das mais importantes empresas de saúde do mundo. Com sede na cidade norte-americana de Minnetonka, estado de Minnesota, o UnitedHealth Group oferece uma ampla gama de produtos e serviços por meio de duas plataformas de negócios: a UnitedHealthcare, com cobertura e planos de saúde; e a Optum, que oferece serviços de saúde com base em dados e tecnologia. Atua em todos os 50 estados norte-americanos e em mais de 130 países, conforme informações da própria empresa.

 

Com informações do jornal Valor Econômico, UHG e CNSaúde. Edição do Setor Saúde.

VEJA TAMBÉM