Como reconhecer a depressão
Doença ainda é muito confundida com uma tristeza comum e poucos pacientes têm acesso a tratamento
A depressão é uma desordem psiquiátrica que se caracteriza, principalmente, por uma tristeza intensa e perda de interesse ou prazer em atividades cotidianas. De acordo com o DSM (sigla em inglês para Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a diferença para uma tristeza comum é a duração deste momento, que quando ultrapassa as duas semanas pode ser sintoma de algo mais preocupante.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a incidência de depressão é maior em países como Afeganistão, Rússia e Turquia e menor em locais como Austrália, China, México, Japão e Inglaterra. Já o Brasil e os países da América do Sul são classificados como nações de incidência média, assim como EUA, Índia, a maior parte da Europa e da África.
Muitas vezes a tristeza e a perda de interesse são acompanhadas por mudanças comportamentais (movimentos lentos, retraimento social, isolamento), eventos emocionais (choro frequente, perda de capacidade de resposta a eventos externos, ansiedade), desordens cognitivas (perda de expressão na voz, dificuldade de concentração e memória, sentimentos de culpa, pensamentos suicidas ou negativos), e sintomas fisiológicos (insônia, perda de apetite e peso, diminuição da libido, fadiga). Em pacientes mais graves, pode haver sintomas psicóticos, como delírios, sentimento de estar sendo perseguido e alucinações.
Mulheres são, em média, duas vezes mais afetadas do que os homens. Doença multifatorial, ela está relacionada a fatores biológicos, familiares, psicológicos, pessoal (como um divórcio) e social (isolamento). Um estudos epidemiológico feito em 1989, com 20 mil pessoas entre 35 a 50 anos, mostrou que dificuldades no mercado de trabalho e o baixo status social tendem a potencializar os sintomas.
A OMS admite que apenas uma pequena parcela de pacientes tem acesso a tratamento. Em reportagem da BBC, Alize Ferrari, da Escola de Saúde Populacional da Universidade de Queensland, Austrália, lembra que “a depressão é um grande problema e nós definitivamente precisamos prestar mais atenção a isso do que estamos prestando agora. Ainda há mais trabalho a fazer em termos de conscientização sobre a doença e também em descobrir formas de tratá-la com sucesso”, resume.