Gestão e Qualidade | 20 de maio de 2016

Principais hospitais brasileiros apresentam desaceleração do ritmo de crescimento

Indicadores econômico-financeiros e assistenciais foram apresentados no dia 17
Principais hospitais brasileiros apresentam desaceleração do ritmo de crescimento

O cenário não poderia ser pior: recuo do Produto Interno Bruto (PIB), inflação acima da meta, perda de 1,5 milhão de postos de trabalho, entre outras consequências, gerando incertezas em todos ambientes de negócio. Em sua 8ª edição, o Observatório Anahp, lançado dia 17, na Feira e Fórum Hospitalar, em São Paulo, mostra o impacto deste quadro também no setor.

O anuário, elaborado com base em uma minuciosa análise dos indicadores econômico-financeiros, operacionais, de gestão de pessoas e de qualidade dos associados da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), no ano de 2015, apresenta um panorama bastante distinto das edições anteriores. Prova disso, foi a redução de mais de 760 mil beneficiários de planos de saúde, resultado da recessão e do desemprego, interrompendo a expansão do sistema de saúde suplementar registrada nos últimos anos.

Os indicadores demonstram uma clara desaceleração do ritmo de crescimento dos hospitais membros da Anahp, o que é evidenciado pelo crescimento das despesas superior ao das receitas, aumento do número de demissões e retração no ritmo de contratação de pessoal.

Os dados do Observatório Anahp 2016 ainda revelam um enorme esforço dos hospitais associados em readequar seus gastos após o ciclo de ampliação da capacidade de atendimento constatado na última década. Confira:

– A taxa de crescimento da receita líquida em termos nominais foi de 5,4% em 2015. Considerando a inflação do período pelo IPCA, houve, na verdade, uma redução de 3,3%.

– O ritmo de crescimento da despesa total em termos nominais foi de 9,6% em 2015. Considerando a inflação do período pelo IPCA, observa-se em termos reais uma variação de 2,0%.

– Os indicadores referentes à despesa total por paciente-dia e receita líquida por paciente-dia cresceram 9,4% e 5,1%, respectivamente.

– A variação do indicador da despesa total por internação avançou 6,4%, abaixo da taxa de inflação oficial do país no período (10,7%), medida pelo IPCA. Já a receita líquida por internação cresceu somente 2,3%.

– O prazo médio de recebimento das faturas pelos serviços prestados se manteve elevado em 2015, 74,8 dias.

Apesar de a recessão ter causado a desaceleração dos principais indicadores econômico-financeiros, a eficiência na gestão operacional dos hospitais Anahp foi preservada, assim como a qualidade e segurança assistencial, como é possível verificar com a manutenção da taxa de ocupação operacional em torno de 80% e a redução no tempo médio de permanência em todas as faixas etárias.

Outro indicador positivo é a melhora dos processos de desospitalização, inclusive, com gradual diminuição na taxa de pacientes residentes de longa permanência.

A melhora dos índices de incidência de infecção hospitalar, a estabilidade da taxa de conformidade de preenchimento dos prontuários e o avanço na adoção dos principais protocolos clínicos, também colocam os indicadores assistenciais em patamar favorável.

Alguns dados apontam mudanças no perfil clínico epidemiológico, relacionadas tanto às transições demográficas e epidemiológicas da população quanto à inovação tecnológica aplicada aos diversos tipos de diagnóstico. Houve um expressivo aumento nas saídas hospitalares associadas às neoplasias. Tal movimento pode ser atribuído aos investimentos realizados em infraestrutura de oncologia, que permitiram um diagnóstico mais precoce e ampliaram a janela de oportunidades de tratamentos terapêuticos.

Principais indicadores operacionais

80 hospitais associados em março de 2016

Em 2015, os então 72 hospitais membros responderam por receitas de R$ 22,7 bilhões

19% do total de despesas assistenciais na saúde suplementar são dos hospitais associados

19.768 leitos = 16,1% do total de leitos privados para medicina suplementar no Brasil pertencem às instituições membro

3.979 leitos de UTI

5,4 milhões de atendimentos no Pronto Atendimento

Do Rio Grande do Sul, dois hospitais fazem parte da Anahp, o Hospital Moinhos de Vento e o Mãe de Deus.

Acesse o material completo aqui.

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